04/01/2026

Retrospectiva 2025

 

Ai, eu queria escrever sobre todos os pontos, discorrer sobre os tópicos da minha vida, as histórias que mais gostei, falar sobre os filmes, um grande diferencial desse ano, queria falar de Moomin (um fenômeno que salvou minha sanidade no começo do ano), mas não vai rolar. Pelo menos não agora. 

Preciso aceitar que onde cheguei já é bom o suficiente pro agora. Retoques podem vir mais tarde. Assim como podem não vir, e não vai ser o fim do mundo.

Me recuso a deixar mais uma retrospectiva esquecida no limbo porque não fui capaz de pontuar tudo que eu queria a tempo.

Enfim alguma mudança. Mesmo que bestinha.

[Vida] 

  1. 9 meses no meu apartamento
  2. 2 meses dele quase completo e uma sala que dá gosto de ver
  3. Tentei conhecer pessoas novas
  4. Fui ao cinema num número recorde desde a pandemia
  5. Comecei a fazer pilates e yoga, e aí a yoga foi tirada de mim
  6. Superei alguns medos e criei outros
  7. Biscoito segue firme, mas nem tão forte e faz parte 
  8. Recebi um montão de gente em casa
  9. Cheguei num fundo do poço e saí dele, voltando ao zero como vitória
  10. Voltei a desenhar, no natal


[Filmes]

  • Ainda estou aqui
  • O Menino e o Mundo
  • Memórias de ontem
  • Sussuros do coração
  • O Agente Secreto


[Música]


  • CA7RIEL & Paco Amoroso
  • Mãeana e João Gomes
  • Tender
  • Glass Animals


[Mídia]

  • Moomin
  • Epic
  • Beta Boechat
  • Matando Matheus a Grito


[Livro]

Guerras híbridas – das revoluções coloridas aos golpes  - Andrew Korybko


[Mangás]

  
    

    

    
 
    

    

  

  

[Webcomics]


    
Our Sunny Days // You Get Me Going // The Shape of Your Love

   
Third Ending // Worth the Wait // The Insatiable Man

 
Roses and Champagne // Aporia

Destaques incríveis

Sketch

Punch Drunk Love

Define the Relationship

Lover Boy

The Evening Breeze Blows

My Way with You

Olhando pra frente...
No fim abordei isso aqui em outro post. Olhando pra frente, parece que tem um pouco de olhar pra trás também, além de parar de fechar os olhos pra uma frente além do que eu quero enxergar.

Que venha um ano em que eu aprenda a imaginar futuros possíveis depois da juventude.

Metas diferentes - no fim não foi sobre isso


A vida é uma coisa bem curiosa, né?
Eu tava pensando em como começar esse post, já há uns dias, indo e vindo em ideias e tópicos, e sentimentos completamente distintos cada vez.

Sei lá, antes de chegar essa primeira segunda de janeiro, eu cheguei a pensar que era o fim do mundo algumas vezes durante o fim do ano. Algumas dessas vezes minha mente já estava num estado de resignação total, em outras tudo era desesperador, e também tinha momentos de questionamento desses fins possíveis e/ou iminentes.

Acho que nunca antes eu sofri por ter uma pausa na terapia no fim do ano. Claro, eu odeio dezembro em geral, quase todo ano o período de festas me deixa com algum gosto amargo, maior ou menor. Mas pensar na falta de terapia nunca foi parte desse processo. Cheguei a pensar em chamar a Aline nas últimas 2 semanas.

Sinceramente, nem sei mais o que estava tão pesado pra me fazer querer falar com ela. E assim segue a minha vida cheia de intensidade e amnésia logo depois haha.

Na real, agora, nesse exato momento nada tá tão ruim assim. Fiquei pensando o quanto foi bom e importante eu ter separado esse primeiro final de semana pra ficar só comigo, sem nenhuma expectativa.
Eu montei todo o esqueleto da retrospectiva de 2025 (em tempo récord), li um montão de capítulos de webcomics, revi uns mangás que supostamente eu tinha gostado bastante ao longo do ano (e não me lembrava, daí queria reler pra ver se entrariam ou não na retrospectiva), comi o que queria comer, dei todos os remédios pro biscoito. Sem crise. Foi bem confortável. E me deu tempo pra pensar com agência, fora do embalo produtivo.

Talvez tenha começado na semana do natal, ou um pouquinho depois, tenho refletido muito sobre querer, poder, fazer, e o que eu posso e devo me proporcionar em cada um desses pontos. Ao mesmo tempo que sinto ter muito o que querer, desde banalidades pra ocupar minha ansiedade, ou coisas que não posso comprar nem "merecer" como a saúde do Biscoito, ou de qualquer um, me sobram algumas opções. Dessas, a maioria envolve fazer. Um fazer que as vezes vai além da minha casa, ou de cliques, mas nem sempre. Ou, em casos mais difíceis de lidar, o querer não tem previsão de acontecer, e tenho que aceitar que é o que tem pra hoje. Pra amanhã, e talvez pra 2026 como um todo. E tem que estar tudo bem, apesar disso. 

Então tô tentando buscar formas de fazer ficar tudo bem. Descobrir os elementos que podem acolchoar meus dias pra ficar tudo bem, pra amenizar os agudos.

Hoje enquanto conversava com a Bia depois do soro do Biscoito ela me falou algo que encaixa muito bem nisso tudo: tem coisas que a gente pode guardar pra fazer quando se aposentar, ou daqui 5, 10, 15 anos, quando as condições estarão melhores, sim ou sim. E, sendo realista, ela tem toda razão. 

Nunca foi muito meu estilo planejar tão longe assim. Sempre vivi no futuro, desde criança, mas nada tão longe assim. Na verdade, já faz um tempo que o futuro dos meus sonhos é o meu agora, meus 20-30, tenho ficado numa angústia cada vez maior por não conseguir realizar tudo que estava nos meus planos, lidando com imprevistos e com a vida sendo como ela é. Com dores e finais.
 
Acabei me sentindo sufocade com a perspectiva de que o meu agora está seguindo um curso diferente do que sempre sonhei e trabalhei tanto pra conseguir, e que não importa o que eu faça, tudo que me resta é esperar o tempo passar. E aceitar o tempo passar, principalmente.

Mas na realidade, os 10 anos compreendidos entre 20 e 30 são só um pequeno pedaço de tudo, e não tem nada que diga que serei menos capaz de realizar nada depois de alguns ou muitos anos. Eu só não me preparei pra envelhecer, não sonhei esse futuro ainda, e acho que esse é um exercício bem difícil de se fazer.

Pensar o envelhecimento é um tanto antinatural numa sociedade que estampa a vida "que vale ser vivida intensamente" só até certa fase. Depois vem o que? Não sei, não consumi nada sobre isso, nunca pensei sobre, tenho medo porque prova que o fim está mais próximo. Ninguém pensa muito sobre o fim antes dos 30. É confortável, no meio de tudo. Um entremeio das fases.

Parando agora pra pensar que talvez eu esteja vivendo a crise dos 30 com 27 anos, hahahah. O que seria bem a minha cara, já que não tive crise dos 25, já que passei por isso aos 22-23. Ai ai, como é bom perceber nossa insignificância e previsibilidade documentada por tantos e tantos casos anteriores.

Já nem sei mais o que eu queria falar aqui. Era pra ser um post de metas, com um guia legal que achei no instagram, mas agora já virou algo em si mesmo. Cancela a ideia anterior, novo tema fresquinho aqui, haha.

Bem, no meio de toda essa reflexão, achei que naturalmente eu chegaria no tópico que queria abordar aqui sobre mais uma vez retomar (e querer retomar ainda mais) coisas do meu passado. Hoje passei parte do dia revendo vídeos da Jout Jout, por exemplo. E acho que vou fazer isso até ter visto todos os vídeos dela. Comecei um tanto de surpresa, depois de ver um vídeo que mencionava ela e dar um clique interno de "talvez ouvir o que a Julia falava naquela época faça sentido pra mim agora". E não é que fez? Depois de ver alguns dos vídeos, descobri que na época do canal a Julia tinha entre 25-29 anos e, bem, acho que agora é a minha hora de escutar tudo.

Quando ela estourou não me pegou muito, como tudo que fica famoso. Então cá estou anos depois pra revisitar e tirar meu proveito na minha fase. Algumas coisas nunca mudam.

Também pensei em comprar uma tv, pra tentar me reconectar com coisas que eu gosto ou gostava, como assistir coisas bonitinhas pra passar o tempo e me aconchegar.

Estou tentando criar uma visão de futuro próximo que me cerque de conforto dentro de casa, já que a previsão pra 2026 é que meu ano seja praticamente enclausurade, pra cuidar do Biscoito. E é isso que preciso mudar, a ideia de clausura. Preciso transformar isso no máximo de leveza possível, porque muita coisa já é e será difícil, e quero fazer o que der pra não potencializar esses momentos. Pelo contrário, tô tentando mapear o máximo de coisas felizes e gostosas que eu possa fazer na situação atual, pra me dar esperança e um norte. Preu não me deixar vencer.

Vamos ver.

25/12/2025

Filhotes numa caixa


Feliz natal, né?
Diretamente do meu apartamento, quase na completa escuridão pra poder ficar com a janela aberta sem atrair todos os mosquitos de São Paulo pra dentro de casa. Até que enfim, veio aí o post que vai tentar comportar tudo que tem ocupado minha cabeça. 

Bem, por onde  começar, não é mesmo?

Sei lá, ontem eu sonhei que tinha recebido uma caixa com 4 gatinhos resgatados que eu deveria cuidar por um tempo até poder levá-los pro lar temporário oficial onde eles ficariam. Cuidei deles, eles tavam bem, etc. Daí o sonho continuou e apareceram mais gatos (sim, um sonho cheio deles) na minha suposta casa (um lugar que nunca vi na vida haha) e eis que... Me lembro dos gatinhos da caixa e percebo que não tinha memória alguma de deixá-los com a pessoa do lar temporário oficial. Me dá 5min de desespero, saio procurando pela casa e encontro a caixa de papelão com os 4 filhotes lá dentro, esquecidos por 1 semana. Eu engulo seco, abro a caixa e começo a avaliar como eles estão, limpando as carinhas remelentas, vendo o nível de subnutrição, desidratação... o nível da minha culpa basicamente. 
Juro, horroroso. 
E no sonho eles todos sobreviveram!! O que é incrível, mas bem alinhado com a minha baixíssima capacidade de lidar com a repercussão lógica de deixá-los UMA SEMANA sem cuidado, água ou comida fechados. Enfim, acordei desse sonho me sentindo um lixo, sem conseguir tirar da cabeça a sensação de ter que lidar com aquela situação. Que eu causei, porque esqueci do próximo passo. Eu cuidei deles, fiz a minha parte da tarefa. Só esqueci de levá-los pra segunda parte. Senti que foi um golpe baixíssimo do meu inconsciente levantar esse medo logo no natal. No recesso da minha psicóloga. Minha última sessão do ano foi dia 23, por que não vir essa merda de sonho dia 22?? 

O verão tem sido bem difícil pro Biscoito. A nefro explicou que o calor pode fazer ele ficar desregulado e piorar os sintomas, além do fato de ele estar na última fase da doença, que também torna qualquer mínima coisa um gatilho de crise. Essa semana tem sido bem difícil com ele. Sem querer comer direito, chateado, meu coração em pedaços.

Num outro tópico de esquecimento, e esse é um que nem consegui falar pra Aline, minha vó começou a esquecer quem a gente é. Ela trata todo mundo com carinho e se lembra na maior parte do tempo quando estamos reunidos, mas meu avô tem ficado desesperado por ela não se lembrar quando estão sozinhos. 
Ela está confundindo que é mãe dos filhos, ou que tem eles, ou que eu existo... Enfim, coisas esperadas pra alguém com 10 anos de demência diagnosticada. E sei que o quadro dela é incrível, considerando como foi devagar a progressão de tudo. Mas chegar na porta da pior fase nunca é fácil.

Confesso que me chocou mais do que o esperado, quando vi acontecer ao vivo. E depois só consegui pensar na imensidão de tristeza e desespero que meu avô deve navegar nesses últimos meses, e o que está por vir. Sinceramente nem alcanço pensar numa realidade pior que isso. 
Não que importe, porque vai rolar a gente estando pronto ou não. 

Ai ai como eu amo as incertezas da vida. Todas elas tem convergido esse ano pra eu olhar afetuosamente pro começo de 2025, quando o caminhão de merda não tinha sido despejado no meu caminho.

Ah sim, há umas duas semanas fui na festinha de fim de ano dos grupos de afinidade da minha empresa. Foi ok, considerando o cenário de total desmobilização e desmonte dos grupos nesse ano. Mas o que quero contar foi a dinâmica que fizeram, facilitada pela dona de um dos nossos parceiros de "terapias holísticas". Juro, só de escrever isso já me faz querer revirar os olhos.

Bem, eis que essa querida começa uma atividade de meditação guiada em que a gente tinha que: Primeiro, encontrar com nosso "eu" do começo do ano e contar tudo que aconteceu, comemorar, falar o que tinhamos vivido, aprendido, ser gratos; toda essa pataquada. Aí eu já tava querendo chorar. Só de pensar em tudo que passei esse ano, todos os baixos e mais baixos com o Biscoito. De pensar na consulta uma semana antes em que tive que conversar sobre o futuro terminal dele, pensar em rotas alternativas para diferentes cenários de colapso. De fato, só coisas incríveis pra contar pro meu eu de janeiro, eu não perdia por esperar. 
Como sempre dá pra piorar a parte dois da meditação incluía visualizar seu "eu criança" e ficar zanzando com ele pela sua consciência, conversando, vendo se os sonhos ainda eram os mesmos, o que tinha dado certo, se levando pra passear, bla bla. 
Bem, é claro que mais uma vez se tem alguém que odiaria saber que estamos num barco afundando com nosso gato, este alguém é a minha criança. E por mais uns bons minutos fiquei lá tentando não chorar enquanto tudo que eu conseguia mentalizar era eu e mais eu fazendo carinho no Biscoito, apresentando ele, transpassando o sentimento sem falar nada. Ficando triste duas vezes. Parabéns aos organizadores, evento maravilhoso.

Na semana seguinte quando contei todo esse absurdo pra Aline, que ficou chocada e muito brava, com toda razão, pois como alguém sem preparo nenhum faz uma dinâmica dessas. E, na real, mesmo alguém preparado não deveria fazer nada disso, pois: maior ativador de gatilhos esse tema de meditação aí, tinha que ser proibido fora da sessão de terapia, isso sim.
Daí nessa sessão pós ocorrido, lembrei que meu maior sonho quando criança era "ser uma pessoa de muito sucesso pra poder dar a melhor vida possível pras crianças que eu adotaria". E assim, era realmente isso, eu rezava todas as noites pedindo por isso. A minha maior aspiração na vida era e é, de certa forma, proporcionar uma vida impecável pra vidinha que depende de mim. 

E estou incapaz de fazer isso no momento presente. Claro que relembrar isso só me fez chorar ainda mais. Acho que qualquer eu do passado ou futuro só tem a sofrer com esse presente. O meu querer é "básico", nada ambicioso, a primeira vista. Mas é impossível, e é tirado de mim. Eu falho todos os dias, apesar de tudo que fiz e faço pra chegar lá.

Veio o sucesso profissional, veio a condição financeira relativa, mas como não é só isso... fico a desejar. E a culpa não é minha nem de ninguém. Meu sonho só vai contra a imprevisibilidade da vida. E é isso.

Sei lá, agora tudo que depende de mim também parece ser maior que eu. Remédios, comida em porções medidas grama por grama, atenção aos sinais, flexibilidade com sintomas esperados, e trabalho, e viver, e comer, e dormir, e acordar de madrugada pra dar comida, mas e se não me acordar de madrugada, e não querer pegar no sono pro amanhã não chegar. Tô casande. E não posso deixar nada passar, mas eu deixo. 
No fim, sinto que meu maior medo agora é desligar o cérebro num momento e perceber quando já é tarde que aquele era o momento crucial. Parabéns ao meu inconsciente por trazer à superfície essa angústia que ainda não tinha sido nomeada. 

Enfim, vamos indo com medo mesmo.

P.s.: Depois vou fazer uma postagem com coisas boas e felizes, porque não foi tudo dor e sofrimento. É só que agora recontar muito da dor e sofrimento existentes já acabou com a minha bateria.