25/05/2026

retomadas

 


Vindo aqui atualizar essa postagem criada dia 07/04 às 10:35, dia e hora em que eu chorei bastante e pedi ajuda, um sinal, pra ajudar o Biscoito. Ele estava internado há 10 dias, eu sabia que ele estava morrendo desde o primeiro dia de hospital... E realmente, o sinal veio.

No dia seguinte, pela primeira vez a paliativista confirmou que a eutanásia era coerente com o quadro dele, e decidi que na visita noturna daquele dia eu daria tchau pro Biscoito. Mas a gente não pode escolher as coisas. 

A falta de ar veio enquanto eu segurava a Kiwi num ultrassom marcado há dias. As veterinárias do exame, todas já conhecidas do Biscoito e minhas, foram me ajudando enquanto eu direcionava a equipe médica do outro lado da ligação, explicando que era pra fazer o que fosse confortável pra ele. Que não era pra me esperar, que qualquer sinal de desconforto pedia a medicação possível, ele sempre como prioridade. 

E aí, numa corrida de táxi ridícula e irônica, fui fingindo estar tudo bem conversando os 30 min de percurso já que o motorista não calava a boca e cheguei tarde. Ninguém morrendo esperaria 30 minutos. Coisas óbvias. 

Cheguei com a Kiwi apavorada na caixinha de transporte, me levaram pra ver o corpinho dele. A veterinária abalada, minha cabeça dividida entre a Kiwi, minha dor, e a realidade. E fui embora. 

Sozinhe. Minha mãe não podia ir me ver naquela hora e depois do choque inicial eu já não queria ver mais ninguém em momento algum.

Os dias passaram. A Kiwi gritando o dia inteiro, procurando por ele. Minha cabeça funcionando no piloto automático, trabalhando e existindo o mínimo possível. E está passando. Sei lá.

Tô aprendendo a viver de novo. A me apropriar das minhas horas, do meu dinheiro, de poder viver... E achar o que fazer. Bem estranho.

Claro que minha vida é uma comédia de muito mau gosto, então a Kiwi teve uma série de problemas médicos e desde que tudo aconteceu tenho seguido praticamente em seguida com os cuidados com ela, como médio sucesso.

Inclusive nesse momento estou tentando agendar um eletrocardiograma pra fechar os exames pré-operatórios pra ela retirar (pelo menos) 2 dentinhos que estão inflamados. Enquanto isso também estou há 20 dias tratando um quadro de Herpes no olhinho dela, e pesquisando sensibilidade alimentar (graças a Deus não é hipertireoidismo, igual ao Biscoito - esse foi um surto encapsulado que foi descartado semana passada -). 

Nada nunca é fácil. Mas a gente vai andando.

Queria dizer que minha vida morreu um pouco no dia 08 de abril, mas como disse minha psicóloga, eu vivi o luto do Biscoito desde o dia em que ele foi diagnosticado, e isso tem se mostrado no meu agora. 

Luto é uma coisa muito estranha. Enfim.

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