15/08/2022

Tá tudo muito rápido, mas eu preciso falar umas coisas

Alou.

[sobre trabalho e sair da casa da minha mãe]

Mais uma vez chega a fase em que eu não quero mais trabalhar e fico enrolando pra tudo... Normalmente, é um sinal de que chegou a hora de pensar em fazer outra coisa. Será que agora vai (de novo)? 

Já conversei com chefe algumas vezes sobre desenvolvimento e carreira, essas paradas chatas do mundo corporativo e, bem, para ele eu ainda preciso demonstrar várias coisas até que possa merecer uma promoção. Não acho que ele esteja errado, até certo ponto. Sinto que eu poderia muito bem estar um nível acima, considerando não só minha expertise, mas também meu envolvimento e desempenho como um todo. Nem que fosse só um aumento pra motivar, sabe?

Enfim, acho isso um saco. Já conversei com vários amigos sobre e todos eles acham trouxa como a minha empresa tem processos bem estranhos pra promovera galera. Esse é um dos grandes motivadores pra eu sequer enxergar que meu tempo lá vai durar muito. Desde que percebi esse formato de "sabe-se lá deus quando você vai ser promovido" já me fez pensar na hora que mais de 2 anos não fico. É um pouco cômico pensar que ainda vou completar um ano daqui pouco mais de um mês e já sinto que estou estagnando. 

Também não posso ser uma pessoa ingrata, ter mudado de emprego me proporcionou muitas coisas boas, inclusive um aumento que eu precisava há tempos, mas que hoje em dia já não é suficiente. Uma coisa boa não cancela as outras negativas, assim como em relacionamentos com pessoas, com trabalho não é diferente, então não vou passar pano pra me iludir de novo.

Há umas duas semanas, mais ou menos, meu avô ficou internado (ele está bem agora) porque seus níveis de sódio estavam baixíssimos (eu nem sabia que isso era possível, já que a gente normalmente vive "controlando sódio" por comer porcarias industrializadas) e durante esse período minha família teve que se desdobrar pra conseguir dar conta da situação, que foi esta:

- minha avó não podia ficar sozinha na casa dela, já que em 60 anos de casados eles nunca ficaram longe um do outro;
- meu tio apesar de bem intencionado tem as capacidades de, no máximo, um adolescente quando se trata de ser uma pessoa funcional e adulta;
- os gatos, daqui de casa e da casa da minha tia precisavam de alguém com eles pra dar comida e água;
- alguém precisava ir ver o meu avô e receber os relatórios médicos diários durante a internação.

Com tudo isso e depois de algumas conversas com entrelinhas duras, minha tia foi convencida (e obrigada) a passar alguns dias com minha vó e eu fui pro apartamento dela cuidar dos gatos enquanto isso, já que posso fazer home office de qualquer lugar.

Nesse meio tempo, uns três dias, a mudança de ambiente me fez muito muito bem, despertando de novo a pulguinha atrás da orelha de querer ter minha casa de verdade

É engraçado como mesmo tendo "voltado pra casa" depois de vir do Canadá, não consegui mais me sentir totalmente confortável morando no apartamento de sempre junto com a minha mãe. Mesmo as coisas estão milhões de vezes com a Tchela tendo se mudado daqui, mesmo eu tendo meu próprio quarto, mesmo os gatos estando aqui, mesmo com tudo isso... Uma parte de mim ainda se frustra e se entristece de não residir num lugar 100% do meu jeito. De mim pra mim, sabe?

Pois é, só que pra isso rolar, é preciso fazer escolhas: é preciso esperar ou dar guinadas na vida. 

As escolhas envolvem esperar para ter a minha casa quando eu sair do país, que a cada momento parece uma meta com mais e mais anos de espera; ou alugar algum lugar por aqui enquanto sigo juntando dinheiro; ou simplesmente desistir de sair do Brasil. Sinceramente não acho que eu vá desistir tão cedo, mas a ideia de poder fazer as duas coisas tem hoje um espaço na minha mente e no meu coração cada vez maior. Já dizia hannah montana, "the best of both worlds" hahah.

Com tudo isso em mente, fui atrás de alguns apartamentos pra alugar aqui por São Paulo e até achei alguns bem aceitáveis. Preciso ressaltar que tenho algumas considerações a respeito de alugar um lugar ainda aqui no Brasil. Me recuso a gastar dinheiro pra morar num apartamento, por mais lindo e impecável que seja por dentro, que fique numa área que não me dê gosto de andar e olhar o entorno. Se for pra ficar num lugar que eu saia na rua e não me encha de vontade de existir ali, nem me dou o trabalho, já tenho isso aqui onde estou.

Por isso minhas buscas por apartamentos até que resultaram em algumas opções legais e interessantes, tive aquele friozinho bom na barriga imaginando esse novo pedaço da minha vida... Mas todo esse cenário é impossível com as minhas condições atuais. Não tenho dinheiro pra aluguel+contas+gatos+terapia+comida e gastos extras como faculdade, veterinário do Cuca (milão a cada 2 meses), tudo sem nem considerar 1 coisinha que seja de lazer e muito menos reserva de emergência ou fundos pra sair daqui. 

Resumindo: meu salário não dá pra isso. Eu precisaria de pelo menos 6 mil reais e isso é 30% a mais do que ganho hoje, então sem condições se tudo se mantiver como está. 

Aí que entra a segunda opção, dar uma guinada na vida. Alguns métodos são possíveis. Aos poucos estou retomando minha ideia de fazer comissions para furries, até voltei a desenhar depois de quase dois anos e estou tentando ver como encaixar mais esse trabalho na minha rotina extenuante trabalho+faculdade.

Outra forma de ganhar mais é pegar freelas de design, que é algo que odeio. Um antigo projeto que peguei por pena voltou recentemente e a moça que me contratou (por um valor quase equivalente a esmolas) quer fazer mais coisas comigo, mas ainda não sei se vai rolar agora que vou cobrar um preço minimamente digno. De qualquer forma, como mencionei é algo que odeio e me dá muita ansiedade, então prefiro nem considerar, coloco aqui apenas como documentação.

E, por fim, dá pra mudar de emprego e ganhar mais. Simples assim. Tão simples que, mais uma vez, meu amigo e ex-chefe me chamou pra que eu me inscreva em duas vagas para a empresa onde ele está, com possibilidades de salário entre, adivinhe, 6k e 8k.

Claro que nada é fácil, mas ele aparecer com vagas mais uma vez bem no momento em que minha cabeça tem rodado quase todo dia por questões de dinheiro me fez pensar em como pode ser realmente uma saída possível.

Não vou sair procurando um novo emprego. Mas essa chance aí caiu no meu colo e eu vou tentar fazer dar certo.
Embora me deixe um pouco triste pensar em sair do time em que estou agora, de nada adianta ocupar minha cabeça com um adeus que nem mesmo existe, então vou me fazer um favor e tentar viver um dia de cada vez.

Vou tentar, não me custa nada.

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[sobre mim]

Ontem fui ver o Len e a Gigi, duas amizades dos tempos do AEG que sobreviveram a todo esse tempo. Na verdade, reencontrei a Gigi (antes Okami) graças ao Len, com quem eu tinha conseguido voltar a falar antes de ir pro Canadá, mas depois de voltar acabei me distanciando durante minha fase de reclusão digital. 

Bem, o Len veio falar comigo faz um mês dizendo que estava no Brasil prestes a voltar pro Canadá pra  terminar a faculdade dele e aí conseguimos sair um dia e na última sexta fui até a casa dele pra gente passar a noite juntos e depois encontrar a Gigi e comer ramen como despedida antes dele voltar pra Toronto.

Tudo isso foi uma experiência muito gostosa. Há um tempinho, como falei aqui, eu estava sentido muita falta de novas amizades, em especial de gente que partilhasse das mesmas posições políticas e éticas. A partir daí conheci o Greg (meu amigo ecossocialista que quer ser mais que meu amigo haha) e é uma coisa muito boa, mas não era suficiente. E percebi que não era suficiente depois de sair com o Len e passar horas e horas falando sobre mangás, animes, desenho e todas essas coisas que acabei guardando pra mim depois de terminar o curso de animação. 
Mesmo na VFS, apesar de ser muito incrível poder conversar com gente que entendia o meu amor e intensidade sobre animação e ilustração... nunca encontrei (ou nunca me abri o suficiente para encontrar) alguém com quem fosse possível falar de BL, otome games nem nada disso. Mesmo gente que conheci durante esses anos e que gostavam de anime/mangá, são tópicos muito genéricos e que abarcam um monte de gêneros, então não consegui me alinhar com ninguém. Mas o Len e Gigi seguem na mesma frequência que a minha e pude perceber como isso é bom e faz falta.

Recentemente a Mei também veio aqui em casa, foi uma grande conquista pra mim, já que uma das grandes forças motivadoras de eu querer ter um lugar só meu é poder convidar as pessoas pra vir ficar comigo e fazer rolês baixo custo e alto conforto hahaha. 
Mei apesar de também gostar de BL, é fã dos doramas, enquanto sou uma desgraça pra assistir coisas sozinho haha. Com esse pretexto marcamos uma tarde pra começar a ver junto um dorama que ela me recomendou e também foi ótimo. Ainda não consegui mergulhar como faço com mangás, mas é bem fofo.

Sei lá, foram momentos muito felizes e que quero replicar. 

Existe a possibilidade de que eu esteja projetando tudo isso em cima da ideia de "ter um apartamento meu" e no fim seja mais questão de organizar minha vida pra comportar esses momentos na configuração atual, do que me mudar, mas por hora quero seguir com esse objeto de desejo/meta/frio na barriga.

Também falei pro Sérgio sobre minha descoberta sobre conseguir sentir meu coração e amar estar vivo. Acho que na hora ele quase chorou, ficou emocionado mesmo haha.
Foi bom compartilhar isso falando, me ouvir descrever a felicidade deu um peso maior pra tudo ♥.

Outra coisa boa que vale registrar é como tô felizãoooooo, usando minhas roupas do jeitinho que sempre quissssss!!!1!!!

Sério, é bom demais. A Tchela me deu 2 casacos ✨incríveis✨ e que eu tava querendo muito comprar mas similares tavam em torno de 600 reais e, obviamente, não comprei então os presentes dela tão realizando meus sonhos de inverno haha.

Me sinto um gostoso da porra, juro. 

Ainda quero umas blusas de gola alta, mas com o que tenho hoje já tô realizando vários sonhos cotidianos. 

Sempre penso em como roupa é uma coisa importante pra mim. É literalmente uma forma chave de me expressar e a questão é muito menos de "mim para o mundo" e sim a reflexão de "como estou me sentido" e como colocar isso pra fora através das peças. Enfim, momentos de vida de mim pra mim.

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Ai, eu ia falar de relacionamentos ainda... mas já tá muito tarde e amanhã começo cedo no trabalho.

Fico por aqui, foi bom escrever.

Falei com o Sérgio também sobre como tô tentando retomar hábitos que me fazem feliz e escrever no blog periodicamente é um deles. Espero conseguir.
Por hoje já quebrei meu recorde do ano de postar em menos de 1 mês, vamos torcer haha.

18/07/2022

Ai, eu sei lá

As vezes eu fico tanto tempo pensando em escrever que, no fim, acho que já escrevi e quando vou ver foi só sonho.

Nesse meio tempo tive vários desses momentos, achando que tinha registrado um montão de coisas e descobrindo que não coloquei nadinha pra fora.

Ai ai. 

Assim como tem sido nas sessões de terapia, não sei direito por onde começar, a não ser pelo "ai ai" que é praxe. 

Bem, vou partir do último post, em que usei o conversor voz/texto e estava pertinho de receber alta da cirurgia. 

É engraçado porque ao mesmo tempo parece que já faz muito tempo e, dependendo do contexto, parece que foi ontem. Ainda preciso me lembrar de que posso fazer algumas coisas, como encostar no meu peito, porque eu não vou ficar triste, muito pelo contrário.

Uma coisa maravilhosa que descobri depois da cirurgia é como agora eu consigo sentir meu coração batendo forte. É uma sensação que nunca nem almejei nem nada, mas me emociona muito e me preenche com uma felicidade gigante.

Algumas vezes me percebo colocando expectativas estéticas sobre o meu corpo, algumas já conhecidas e outras novas, vindas do novo "estar no mundo", mas ainda assim não menos duras e problemáticas, totalmente desnecessárias. Minha barriga, meu pescoço, minha pele, meus pés, sempre aparece alguma coisa que me tira o foco de tudo que eu consegui pra mim e tudo que tenho pra amar. O exercício de se gostar ficou mais fácil, mas ainda tem coisa pra resolver, talvez pra sempre. Sei lá, é uma merda a gente se impor tanta coisa.

Voltando a falar de felicidades, minhas cicatrizes são uma caixinha de surpresas. Quando eu olho pra elas, me parecem muito mais clarinhas do que quando olho no espelho ou em fotos... Me pergunto o que exatamente é real, mas de todo modo elas sempre me surpreendem. Apesar de ter várias coisas que estão em constante mudança no meu corpo, desde cabelo crescendo à cicatrização de tatuagens, o branqueamento das cicatrizes é um processo tão longo que acaba me fazendo prestar muito mais atenção que o normal.

Acho que é como alguém que tem uma planta germinando, cada sinalzinho de desenvolvimento é um acontecimento. É a figura mais próxima que posso trazer como comparativo haha. De todo modo é uma coisa boa, mal posso esperar para quando completar 2 anos e o "resultado final" estar a mostra. 

Ainda me preocupo um pouco sobre deixá-las a mostra, tenho começado (muuuuuuuito lentamente) a tentar conhecer pessoas novas e esse é um ponto que fica surgindo no fundinho da minha mente. "será que não tá muito vermelho?" "eu preciso explicar alguma coisa?"

Sinceramente morro de vontade de poder ficar sem camisa num lugar seguro e compartilhar a imensidão de felicidade que eu sinto quando olho pra mim... Espero encontrar logo essa oportunidade
Sei que perdi uma grande chance não indo pra marcha trans (nem na parada), mas bem, ainda não cheguei no nível de desprendimento suficiente pra ir sozinho em nenhuma dessas coisas. Na parada eu até teria com quem ir, mas tava com suspeita de covid, então tive o bom senso de me resguardar (e proteger as pessoas de mim também, né).

Falando sobre isso me fez lembrar de que preciso colocar os coletes pós cirúrgicos a venda no enjoei. A situação financeira aqui em casa tá bem foda e qualquer coisa que traga um retorno é bem vinda. Faz tempo que pensei nisso, mas nunca conseguia parar pra me organizar. Ainda não consegui, só estou verbalizando aqui haha.

Indo de um assunto lindo para um sufocante, dinheiro é algo que eu sinto que estou lidando de forma bem caótica.

Como falei antes, tá complicado aqui em casa. Comprei um aparelho auditivo pra minha avó de 4 mil reais (sim, 4!!!!!) e para além disso gastei mais uns 2 mil com o Cuca no mês passado e ele deve voltar em agosto pro vet pra refazer os exames (ou seja, mais pelo menos mil reais indo embora)... Minha mãe também começou a tomar os remédios psiquiátricos dela e dei de presente de aniversário as primeiras caixas. E puta merda, como remédio psiquiátrico é caro, vai se foder. 

Todos esses gastos fiz com amor e faria de novo, mas a dificuldade não muda só porque era o certo a se fazer. O Sérgio fala bastante sobre isso comigo, sobre não ser desamor nem individualismo não usar os recursos que tenho pro meu futuro com pessoas adultas que podem fazer escolhas pra se cuidar e bem, ele está certo. 

Isso nem se aplica à minha mãe ao Cuca, claro. Porque pra minha mãe eu escolhi ajudar e, obviamente, eu escolhi ter o Cuca, a Kiwi e o Biscoito. Mas realmente, o estresse que a gente passa aqui em casa pra lidar com as finanças dos meus avós é algo que eu gostaria muito de evitar. Não era preu estar nesse rolo, saca? Mas minha mãe é a única filha que liga pros pais, então acabo sendo um apoio, até porque eu amo os meus avós, né? Então se não tem quem se preocupe na geração correta, acabo entrando de step. E de novo, não é porque é a coisa "certa" que não seja difícil ou desgastante. 

Na verdade é desgastante pra caralho. E por isso eu acho que acabo estourando. As vezes me sinto tão impotente e acorrentado a cuidar do futuro dos outros quando nem seria minha obrigação que me dá vontade de fazer idiotice de adolescente. Gastar com coisa idiota, com coisas que eu queria, mas que sei que não são prioridade. Na verdade, na hora essas coisas até parecem prioridade, porque se eu quero... porque não posso priorizar? 

É bem confuso, na real. Nestes últimos três meses devo ter gasto uns mil reais só em roupas. Pra mim isso é um total e completo absurdo, na real. Ok, eu comprei um monte de coisas, então não é como se tivesse um custo-benefício ruim, mas ainda assim M I L reais. Que loucura.

De fato, depois da cirurgia eu perdi quase todas as minhas camisetas e já tinha tempo que precisava de umas coisas, mas sinto que podia ter feito menos compras. Só que é isso, na hora me dá um estalo de "foda-se todo mundo eu vou comprar alguma coisa pra me agradar porque senão vou morrer nessa merda sem nem ter me cuidado" e cara, que pensamento mais juvenil, puta merda hahaha. Mas é como me sinto e quando vou ver, fui lá e fiz, não tem retorno.

Acho que se fossem só essas compras nem teria tanto problema, o ruim é o conjunto da obra mesmo. Meu cartão de crédito fechou em quase três mil reais e isso me assusta bastante (aí dentro tem minha mensalidade da faculdade e gastos com vet + remédios, tá? falando pra apaziguar minha própria consciência haha). Vai começar a ficar em menos de mil reais só a partir de novembro e é surreal como isso tá acontecendo. Parece que outra pessoa invadiu a minha vida e teve um surto consumista, sabe? Eu nunca fiz nada parecido, então tô tentando aprender como navegar nesse mundo adulto em que "se agradar" muitas vezes significa "gastar".

Sei lá, isso tudo de lidar com dinheiro é muito bizarro. Acho que juntei por tempo demais e não aprendi a lidar com um fluxo corriqueiro de entradas e saídas. Tudo me apavora e sinto que tô saindo de controle. Talvez eu até esteja mesmo, não sei até onde o medo é descabido ou coerente... Sei lá, de novo.

Chega de falar de coisas sufocantes.

Hahaha, assim que escrevi isso me veio que "se é assim não vou nem mencionar meu trabalho aqui". Pois foi um pensamento muito acertado, não vou deixar o resto desse post afundar com coisas que sequer me preenchem.

Bem, então tá. Vamos falar de coisas edificantes ✨


Não tinha como não colocar o meme do galo "fofoca?" depois de escrever edificante hahah. Eu amo esse galo, a patinha dele segurando a jarra é tudo pra mim.

Enfim, voltando a nossa programação normal ahah. 

É meus amigos... E não é que meu hábito de ler mangás segue firme e forte? 

Sinceramente, se não fossem os BLs fofos que tenho lido nos últimos anos, não sei o que teria sido da minha estabilidade emocional. Pra coroar minha felicidade recente, o MAL recentemente lançou (na verdade deve ter faz mó cota, mas eu demorei a perceber) uma ferramenta que deixa você fazer listas de mangás/animes com categorização personalizada e, minha nossa, como esperei por este momento!!!

Conseguir catalogar meus mangás preferidos é algo que tenho vontade há tempos e, enfim, ver tudo organizadinho me deixa bem feliz. A felicidade está nas pequenas coisas, SIM.

Pra além da catalogação, realmente tenho lido muita coisa boa nos últimos tempos. Até é algo que me deixa com a mão coçando pra fazer logo minha retrospectiva de 2021, porque nela quero colocar uns mangás e webcomics que li no ano passado. 

Sim, ainda pretendo fazer a retrospectiva, mesmo que estejamos avançando já o segundo semestre de 2022. Foda-se, eu que mando aqui.

 Mas é, tudo isso pra enaltecer que tô lendo coisas bem boas e/ou fofas. Isso é um ponto que ao mesmo tempo que me deixa com o coração cheinho de algodão me dá uma sensação de falta as vezes. Falta de 1. pessoas pra compartilhar essas belezinhas e 2. de uma história romântica pra chamar de minha kkcry.

Sim, o bichinho do "Grande Talvez" voltou a me morder e, especialmente depois da cirurgia, minha impaciência pra viver um relacionamento tem crescido. 

Inclusive, até instalei o Bumble deve ter uns 2 meses já e venho tentando ver se encontro pessoas que me deem vontade de conversar. Na real, embora eu ache o app bem legal e prafrentex, o lance de pessoas não binárias, assim como mulheres, ter que dar o primeiro passo me dá um tanto de ansiedade haha. 

Claro que não é só isso que me deixa meio a flor da pele com toda essa situação de tentar conhecer gente nova, também tem o fator: eu realmente vou precisar conhecer essas pessoas e muitas delas não serão o que espero e isso me estressaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Sério, na real acho que quase tudo me estressa nesse tópico. Quando eu encontro o perfil de alguém que acho interessante me bate um nervoso e eu fico tentando achar formas do app atualizar pra pessoa sumir (????) e eu poder seguir com os "nãos" sem apostar numa possível conexão por quem tive interesse. Por que???? Pois é, também não encontrei uma resposta que faça sentido ainda. Medo de dar errado, medo de dar certo, tudo junto e misturado.

Haaa, descobri que odeio essa parte de "conhecer". Queria poder pular direto pra uma relação estável e morninha, já dentro da rotina e hábitos, sabe? 

Novidade definitivamente não é comigo haha. 

Vou contar minhas experiências até o momento, já que elas são breves.

Primeiro, tive alguns vácuos, para os quais eu não estava preparado, sério. Passei mó nervoso pra nada, que ódio hahah.

Passei tanto tempo decidindo se ia dar "sim" pra pessoa, sabe? Daí ainda por cima tive que tomar coragem pra puxar assunto e... Nada... Conexão expirada. Vai se foder, cara.

Sei que ninguém tem nada com a minha angústia autogerada, mas mesmo assim, que saco hahah.


Além desses vácuos, comecei a falar com 2 pessoas, um era professor de física e apaixonado por astronomia e os gatos dele e o outro é um menino ecossocialista que desde o início eu soube que nunca quereria beijar e sim, apenas criar uma amizade, pois: primeira pessoa ecossocialista ao meu alcanceeeeee 🥺🥺 por favor vamos ser migos, quem precisa beijar bocas #salivasuperestimada.

No fim da semana passada o professor de física me deixou no vácuo então acabou por aí. Sinto que ele me fez um favor, sinceramente. Até que podia ser alguém legal, mas senti que tínhamos energias muito diferentes. Eu escrevia horrores e ele respondia com 2 palavras ou "hmmm". Que desperdício do meu tempo e empolgação, sabe? 

Total sem ressentimentos.

O Gregs, meu amigo ecossocialista não monogâmico (apesar de eu achar que a não monogamia é uma parada super embasada e tal, mesmo que eu ainda não tenha chegado lá, gente que se define "não-mono" me dá um irkzinho, mas ele também sente isso então tá desculpado haha) é ótimo. 
A gente tem conversado bastante com áudios longos sobre várias coisas e mesmo mandando 8min ele escuta tudo no 1x e é uma pessoa super receptiva. É alguém que quero como amigo mesmo, até saímos esse domingo.

Acho que devo ter confundido um bocado a cabeça dele, já que a gente saiu e teoricamente seria um encontro, mas eu não conseguia encarar aquilo como nada além de uma saída com amigos, então não rolou um nadinha de clima e no fim fui embora na maior paz. Mas sei lá, ele também não fez nada que me desse a entender que queria alguma coisa. Talvez ele ache que sou demisexual? 
Bom, ele tem outras pessoas com quem conversa, então estou contando com esse pessoal aí pra preencher a parte romântica da vida dele, além da parceira de relacionamento principal dele. Que eles cuidem dessa parte enquanto aproveito minha amizade hahah. 

Em algum momento acho que vamos ter que conversar sobre isso, mas não sei como trazer esse assunto pra mesa. É uma merda como sempre acabo ficando com coisa entalada na garganta quando se trata de vocalizar necessidades.

Eu achava que depois de toda porcaria que passei por falta de comunicação e ignorar minhas vontades eu teria aprendido a lição, mas parece que continuo com tanto medo quanto antes. Ai ai, preciso falar disso com o Sérgio.

É, por enquanto é isso desse assunto. Preciso tomar coragem pra dar mais "sim" nas pessoas que talvez tenham potencial de serem legais. Levar como exemplo o prof. de física que deu um fim a nossa quase-alguma-coisa sem futuro, pensar que não é pra ser algo tão pesado e que tá tudo bem não ser um turbilhão de cara e tá tudo bem também se depois eu não quiser nada. 

Mais fácil falar que fazer, quero só ver.


Tenho mais coisas pra falar, mas esse post já está grandão. Finalizo por aqui...

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Nath, passando pra te dar um recadinho de rodapé e reforçar como te amo infinito 🧡. Só consegui ler seu último post no final de semana e tudo que posso dizer é que desejo todos os dias que o melhor do mundo preencha os seus dias e que você tenha trilhões de dias ensolarados pela frente. 
Sei que as coisas não estão fáceis e que a perspectiva de tudo pesar menos ainda não está despontando no seu horizonte, mas ela existe e vai chegar.

Enfim, você é uma existência essencial na minha vida e me deixa feliz só de saber que você existe então, sempre que puder cuide de você e se abrace enquanto eu não posso. Claro que quero que você faça tudo isso por você mesma, mas quando for difícil demais ter essa motivação, pode usar a minha se de alguma forma te ajudar a se manter mais tempo aqui. Te amo muito mesmo.

12/04/2022

Transcrição de um (longo) monólogo sobre como as coisas pesam


Vamos lá, cá estou eu agora fazendo um novo uso do meu...como que fala aquelas coisas que você fala e aí o computador vai entendendo e vai transformando em texto digitado? Bem, é isso que estou usando haha. Let's que bora.

Vou tentar postar dessa forma falada porque percebi que se eu não fizer dessa forma, simplesmente não vou postar nada enquanto eu não estiver 100% da cirurgia. 

Obs: Nossa acho incrível que ele até transforma os 100% em numeral, não sabia que isso acontecia acontecia hahah.

Ok, primeiro um overview rápido:

Obs 2: achei chique que o conversor voz/texto também entende palavras em inglês misturadas com português.

Obs 3: vai ser metade postagem sobre o que acontece na minha vida e metade eu comentando sobre os benefícios desse conversor de texto haha.

Vamos começar dizendo que tá tudo bem, né?

Afinal, eu estou bem. Tô me alimentando bem, tô me recuperando bem, tô bem no meu trabalho sem ninguém fazendo pressão pra cima de mim, teoricamente tá tudo bem... Mas a real é que não tô feliz apesar de tudo. 🤡

É nesses momentos que percebo como eu sinto falta de me colocar no mundo e de expressar o que eu tô vivendo. Me faz muita falta postar no blog, não só conversar com outras pessoas, mas também escrever e colocar para fora tudo da maneira que sempre amei: através dos posts. 

E sabe, isso vale mesmo que essa não seja lá uma postagem com grandes colocações filosóficas e nem nada do tipo, até porque faz tempo que abri mão de tentar fazer algo desse tipo, já que "é de mim para mim" e o que importa é que me preencha; o que, de fato, toda e qualquer postagem faz.

Faz, aliás, um bem imenso na minha vida. Seja na hora, com a dopamina liberada (nem sei se é endorfina ou dopamina, enfim, um desses compostos químicos da felicidade) quando eu venho aqui e vejo que "eu fiz isso por mim", ou quando depois de muito tempo, ou até no dia seguinte em que tô num momento atribulado eu paro e falo: "deixa eu ler o que escrevi no outro dia" e fico feliz de ver meus pensamentos materializados numa forma acessível para relembrar sempre que eu queira.

Isso me me dá um conforto muito grande e tem muito a ver com a minha personalidade. Eu gosto muito do que é certo, do que é conhecido. Gosto muito da ideia de "memória": de ter fácil coisas que me pertencem ou coisas que me são queridas. Por isso, ter o blog e acessar os meus pensamentos me dá uma paz enorme.

Bom, agora falando mais criticamente: eu tô numa fase intermediária da minha vida, eu diria. Próximo do fim de da faculdade, o que é maravilhoso já que esperei quase quatro anos para chegar nesse momento, mas ainda assim agora que está quase acabando, bizarramente, parece se prolongar cada vez mais.

De forma objetiva, tá chegando perto do fim. Querendo ou não, a gente tá em abril, ou seja, um quarto do ano já passou, mas ao mesmo tempo parece que tá longe de terminar essa porcaria.
Enfim, #fé que vai dar certo muito e que, em breve, eu esteja postando sobre como sou uma pessoa livre.

Agora chega o tema trabalho, porque parece que a minha vida tem revolvido somente entre trabalho e faculdade nos últimos tempos... O que é bem triste e um pouco deprimente, mas real.

Estou com perspectivas de mudar de emprego, algo muito louco de se pensar considerando que não faz nem um ano que... eu mudei de emprego (rindo de nervoso).
Sei lá, a roda da minha vida simplesmente parece andar de forma com que eu sinta necessidade cada vez maior de acumular mais e mais dinheiro.
Isso por si só é bem esquisito, já que nunca imaginei que eu seria uma pessoa que passaria tanto tempo se preocupando com questões financeiras. Só que acontece. E acontece porque tenho tantos tantos taaaaantos planos e, infelizmente, os planos precisam de dinheiro, além das contas aqui de casa que são cada vez maiores. Parece  que surge uma coisa nova a cada momento e a gente tem que se desdobrar pra cobrir, sabe?
Minha mãe não consegue guardar nada do salário dela e isso me enerva. Não sobra para ela poder guardar para se aposentar e isso faz com que ela não tenha seuqer perspectiva de poder se aposentar e acho isso horrível e inaceitável.

Cada vez mais surgem coisas que me fazem sentir que eu preciso ter mais dinheiro para conseguir realizar tudo que quero a fim de ter uma vida plena,  sabe? É um saco.

Eu sempre disse que "não ligo para onde ou com o que vou trabalhar, porque não vou me realizar através do trabalho e sim da minha vida pessoal" e que "quero trabalhar o mínimo tanto quanto possível para que eu possa aproveitar a minha vida", só que, para isso acontecer, preciso sentir que eu tenho essa abertura para viver.

E é bem foda, na real. Sinto que tenho que equilibrar uma série de coisas o tempo todinho. Desde os valores do meu psicólogo, o quanto eu preciso juntar de dinheiro para sair do país ou comprar um apartamento, ou a reserva de emergência pra caso os gatos precisem ir no veterinário de novo, além do que preciso contribuir em casa para que a minha mãe consiga usar o dinheiro dela para si e não para cuidar dos outros... São muitas variáveis que fazem com que eu não esteja me realizando na vida. Ao invés disso, estou sempre vivendo em função de trabalhar sem conseguir aproveitar os momentos em que eu tô fora da jornada, simplesmente não tá dando certo essa dinâmica.

Por essas e por outras é que tô pensando em procurar outra oportunidade de emprego. Na verdade, eu nem procurei essa oportunidade específica que me apareceu. Ultimamente tenho sempre olhando vagas pro Gabriel, que tá num emprego m**** (o conversor escreve merda com asteriscos hahaha) e não olhava para mim, porque querendo ou não eu tô ali na base salarial do mercado para minha área, então não tinha grandes perspectivas de aumento nem nada disso, a minha empresa é bem boa etc.

Porém, contudo, todavia surgiu essa oportunidade do Higor, meu ex-chefe, que eu não esperava e, bem, já falei milhões de vezes que as minhas chances de passar nessa vaga de especialista são muito baixas (e elas, de fato, são muito muito baixas considerando a pouca experiência que tenho), mas que se der certo vai ser uma guinada na minha vida.
Pensar em ganhar R$ 8k agora, o valor que eu coloquei como meta salarial  em até cinco anos, vai mudar drasticamente todos os meus planejamentos e, apesar de toda a carga de responsabilidade que vai vir junto com esse salário, acho que vai acabar me dando uma paz também, pra poder respirar e curtir minha vida presente sem pensar no quanto estou "gastando agora e prolongando a demora até ter fundos suficientes pra realizar os objetivos bla bla".

Aliás, isso é uma percepção que eu tive também graças aos tempos de pandemia, mas por conta da minha rigidez em seguir o passo-a passo até juntar todo o dinheiro para conseguir fazer a cirurgia, alcançar os sonhos pro futuro a médio e longo prazo, tralalá, acabei me podando muito e... Acabou que vou fazer 24 anos em menos de um mês e parece que não aproveitei quase nada. Não fiz viagens, não conheci muitas pessoas, não me realizei e não tô aproveitando.

Todo esse "não viver" é triste quando tudo que eu falo é sobre como "quero viver ao máximo e tenho vontade de mundo, etc", ao mesmo tempo em que quase diariamente não me permito experimentar nada. Eu não me dou esses espaços de vivenciar o tal futuro que nunca chega.

Esse é um questionamento bem real que que eu tenho feito. Não sei se é um quarter-life-crisis, ou inferno astral, eu sei lá. É até bom ter esse choque de realidade pra acordar pro fato de que posso estar gastando a minha vida trabalhando, sem me cuidar ou me valorizar o suficiente. Se eu morresse amanhã não me sentiria minimamente realizado, veria quase tudo como uma perda de tempo, então preciso fazer alguma coisa para mudar isso.

Por enquanto é isso, né? Para uma postagem só já falei muita muita coisa e agora vou ter que editar os grandes blocos de texto gerados pelo conversor. Quem sabe eu faça o texto da retrospectiva do ano nesse esquema falado/ditado. As chances são mínimas, mas tô jogando aí a ideia para mim mesmo no futuro haha.

Ou então vou esperar minha alta e gastar umas 15 horas para redigir a retrospectiva por completo. Tenho altas expectativas para mim mesmo, vai ficar muito incrível e vou ficar bem feliz de revisitar a postagem, assim como me sinto vendo a restrospectiva de 2020, que eu amoh.

E é isso. O que importa é que tô tentando melhorar a curto prazo e mudar as coisas tanto quanto posso, por hora não é muito até pelas limitações físicas, MAS a partir de maio o mundo que se prepare porque eu quero acontecer.