03/10/2022

Uma nostalgia do caralho e muito cansaço


Ai sabe, pior dia possível preu ter um mini meltdown, mas cá estamos.

Ao som de Paramore, na verdade agora é Hayley Willians - Why We Ever, tô tentando escolher uma imagem pra encabeçar o post, mas não tá dando não.

Nossa, eu nem tava tão mal assim gente do céu. Tenho 40 e-mails pra montar na porra da plataforma do meu trabalho pra uma demanda que o próprio CEO tá esperando pra gente colocar pra rodar na segunda, no caso hoje mesmo, daqui umas 8h quando começar a minha jornadinha CLT dos infernos. 

[sobre trampo]

Eu tô sinceramente com um desgosto muito grande de estar trabalhando nos últimos meses. Foi aumentando a passos largos, até falei com meu chefe sobre o que vinha me incomodando e, bom, naquela hora parecia que as coisas tinham ficado mais leves só que agora tudo me parece uma bela merda e me dá vontade de chorar e jogar tudo pro alto.

Tava inclusive pensando em já procurar vagas e tal, mas me lembrei que preciso urgentemente de férias, então vou esperar até o ano que vem. Preciso me formar, preciso tirar férias, preciso. 

Inclusive, no tema vagas, as que meu amigo e ex-chefe tinha me indicado acabaram se mostrando com escopo completamente diferentes do que eu faço então não rolou. Apesar da negativa, foi um processo bem legal, porque me senti minhas capacidades bastante reafirmadas, tanto passando pra fase de conversar com o diretor lá da área quanto com ele mesmo meio bolado explicando que eu "de fato, tinha muita experiência com planejamento, mas eles precisavam de alguém técnico" e assim, realmente amigo boa sorte porque eu não sou essa pessoa e tá tudo bem. Claro que adoraria conseguir uma vaga e passar a ganhar mais pra trabalhar melhor e num ambiente menos abusivo quanto minha atual empresa se tornou, mas né, sobrevivemos.

[tcc]

Entrego meu TCC daqui literalmente 1 mês e, bem, ainda falta coisa pra caralho. Ainda assim, consigo ver uma luz no fim do túnel e saber que ela é só a saída e não um trem. O projeto agora tá bem bonito e finalmente entramos num ritmo que dá pra finalizar as coisas. Vai dar certo, vamos dar um jeito.

[relacionamento, na real a negação de um possivelmente meia boca]

No fim, minhas aventuras no Bumble acabaram empacando no Greg mesmo, porque não tenho coragem e nem energia pra tentar conhecer gente nova agora. Não consigo nem manter uma conversa qualquer atualizada, imagine ter que fazer todo aquele papo interessado pra ver se vale a pena marcar alguma coisa e mais ainda, aparecer no encontro e tudo o mais. Sem condições, cansado demais.

Que loucura, no post passado, no meio de agosto eu ainda tava 100% na vibe amizade platônica com o Greg, mas desde então a gente se viu mais 1 ou 2 vezes e fui me acostumando à ideia de ter alguma coisa com ele e daí, domingo passado a gente se ligou (coisa que não faço com absolutamente ninguém além do povo do TCC por obrigação k k) e ele abriu seu coraçãozinho me explicando que: mesmo eu sendo essa pessoa interessante pra caralho, ele não conseguia se apaixonar por mim o tanto quanto sentia ser necessário e tava num dilema interno. Isso porque Greg, a meu ver, é um monogâmico que acha que é anarquista relacional (um tipo mais legal de não monogâmico ahah, mas na verdade é só uma pessoa num quadro neurótico que não consegue se desapegar de uma relação que já não funciona e ninguém tem coragem de terminar. 

E assim, coitado dele e tal, uma merda ter que viver nessa dor de não conseguir finalizar algo que foi super importante e ao mesmo tempo não conseguir se entregar pra alguma outra coisa potencialmente boa. Nessa ligação ele me perguntou o que eu esperava da nossa relação e fui até que bem jogo aberto, falei que não esperava nada específico, mas que tinha abertura pra que a gente pudesse ter, sim, alguma coisa romântica. Eis que no momento eu fiz o conhecido comportamento padrão auto-anulante de dizer "estar ok caso ele quisesse ir ficando comigo e aí ver no que ia dar, se ia querer fortalecer algo comigo ou dar pra trás", mas graças a deus, depois de finalizar a conversa me deu 5 minutos e percebi como eu tava prestes a repetir o mesmo erro dos últimos relacionamentos que tive (e foram péssimos) e mandei um áudio de 5min explicando sobre como NÃO estava disposto a começar nada com alguém que não estivesse ali pra transbordar tanto quanto eu no que quer que fossemos criar. 

Ele ficou meio bolado de início, passei um leve nervoso durante os primeiros dias da semana, mas depois Greg retomou comportamento normal, fiquei meio puto na hora, mas depois passou e, sei lá. As voltas que o mundo dá, né? Desde o início não quis nada com ele, daí fiz um esforço consciente pra pensar em uma perspectiva romântica, só pra depois de conseguir isso ter que enterrar de novo em nome dos meus limites e autopreservação e respeito. Que coisa. 

Mas na real fiquei feliz comigo por ter me fortalecido a ponto de conseguir me colocar de forma firme pra ele. Queria muito ter contato isso pro Sérgio, só que na última sessão eram tantas coisas pra falar que no final só cheguei a começar a história com o Greg (mini história, uns capítulos no máximo) e aí o Sérgio só falou umas coisas meio "será que não vale a pena pensar nisso?" e não deu tempo de falar NÃO SÉRGIO, É PRA GENTE COMEMORAR O MEU NÃO, CALA A BOCAAAAA. Mas na próxima eu falo, tá tudo bem.

[cabô sobre relacionamentos]

Fazia muito tempo que eu não ouvia Bring Me The Horizon, perfeito pro meu momento. Até parei pra colocar os álbuns inteiros na fila de reprodução e não fazia ideia de que eles tinham lançado coisa pra caralho desde 2015 e, caralho, que mal gosto pra arte de capa, ein? Enfim, tá dentro do meu momento de nostalgia, agora tô lembrando do show que fui com a Yas, em 2016 eu acho. Saudades.

Enfim, tem muito mais coisa que eu quero falar, como sempre, mas já tô me sentindo bem melhor agora.

Quando comecei a escrever tava a beira de um colapso mesmo. Agora que voltei a escrever sobre isso as emoções tão voltando, mas vou dar uma segurada, já que preciso fazer a porcaria do negócio pro meu trabalho antes que eu tenha que virar a madrugada inteirinha só nessa bosta. E vamos de colocar uma fita isolante pra tapar o buraco da represa, menines. ✨

E no final nem falei das eleições, que também foi uma coisa que me fez sair bastante do prumo agora fim do dia. Mas também, que pessoa decente que não ficou abalada, não é mesmo? Uma dor compartilhada dói menos.

[sobre nostalgia]

Ah, pra falar de coisas boas, assisti Luca finalmenteeeeeeeeee! E é lindo, meu deus, é muito lindo e amei amei amei. 
Ano passado eu seguia uma pessoa que era completamente doida por Luca e pelo ship dos dois meninos e, pra mim acabava sendo engraçado, porque minha percepção do filme era muito mais a partir da lente dessa pessoa do que do filme em si, que eu tinha 0 chances de ver por não ter Disney+ e muito menos a energia de ir atrás de um torrent pra baixar. Bom, eis que finalmente assisti e entendo porque tanto alarde, é um abraço quentinho aquele filme mesmo, muito fofo. 

Também assisti Red antes e fiz isso numa festa do pijama que fui ontem pra rever o pessoal com quem fiz técnico no ensino médio. Acho que isso foi mais uma gotinha pra fazer transbordar meu copinho da nostalgia e demanda por tempos mais brandos e carinhosos comigo mesmo. 
Algo similar aconteceu quando encontrei com Len e Gigi, que até mencionei aqui no último post. Quando reencontrei os dois até tivemos um momento de revisitar o baú de memórias e ficar vendo os blogs e tal, cheguei até a minha primeira postagem no AEG, foi bem emocionante, me deu comichão de retomar o blog, agora sob uma perspectiva ecossocialista e pautada nos meus interesses atuais (que ao mesmo tempo mudaram tudo e nada)... Daí a realidade veio e deu uma bicuda na minha cara e desisti dessa ideia, pelo menos até terminar esse ano.

Ah, quando o Greg veio aqui em casa também mostrei pra ele Viagem na Chuva, acho que isso deve ter sido também uma outra gotinha no copo da nostalgia. Acho que fui inconscientemente gravitando pra essas situações que me remetem ao passado e à animação e tudo o mais. 

Se for parar pra pensar, quando eu tava me afundando na pandemia o que me fez flutuar foram essas coisinhas também. Assistir animes, ler meus mangás, jogar otome games, foi uma retomada bem grande dos meus hobbies de 15 anos, lembro de comentar com o Sérgio na época e ele achou ótimo, até me incentivando pra valorizar essas coisas e procurar o que mais eu gostava e fortalecer isso. 

No presente, ainda mantenho os mangás como uma corda salva vidas. Sempre que sinto que tá tudo uma droga começo a ler um BLzinho pra acalmar meu coração, mas acaba sendo um pouco de cuidado misturado com mimo, pois passo do ponto e gasto tempo importante pra fazer tarefas práticas me isolando do mundo com eles. Tá difícil conseguir chegar num equilibro ultimamente. Pra várias coisas... Ia falar que "sinto que tô a ponto de explodir", mas me lembrei que já estou explodindo haha.

Na sexta meu chefe pediu pra falar comigo, porque eu tava passando do ponto, estourando muito nas nossas conversas com o time e, bem devo estar mesmo. Eu não percebo, mas as pessoas se surpreendem com certas reações minhas e é aí que me percebo chegando na fase em que comecei a tomar remédios láaa em 2017. Sinceramente eu adoraria que o Sérgio voltasse a me receitar sertralina, só como um paliativo, em momentos de crise e tal, mas ele não afrouxa sua convicção de que "consigo passar por isso". 

Caralho cara, é óbvio que conseguir eu consigo, mas queria conseguir sem me desgastar tanto no processo, sabe? Não me superestime, só quero fazer as coisas da forma mais pacata possível, por favor.

Ai ai já são 2h da manhã e eu só queria dormir. Mas não, ainda tenho a merda dos 40 e-mails. 

Vou fazer isso logo, porque tô sentindo que mesmo fazendo isso na porra do meu tempo livre ainda vão querer que eu comece no horário de sempre pra ativar essa bosta.

É isso.

15/08/2022

Tá tudo muito rápido, mas eu preciso falar umas coisas

Alou.

[sobre trabalho e sair da casa da minha mãe]

Mais uma vez chega a fase em que eu não quero mais trabalhar e fico enrolando pra tudo... Normalmente, é um sinal de que chegou a hora de pensar em fazer outra coisa. Será que agora vai (de novo)? 

Já conversei com chefe algumas vezes sobre desenvolvimento e carreira, essas paradas chatas do mundo corporativo e, bem, para ele eu ainda preciso demonstrar várias coisas até que possa merecer uma promoção. Não acho que ele esteja errado, até certo ponto. Sinto que eu poderia muito bem estar um nível acima, considerando não só minha expertise, mas também meu envolvimento e desempenho como um todo. Nem que fosse só um aumento pra motivar, sabe?

Enfim, acho isso um saco. Já conversei com vários amigos sobre e todos eles acham trouxa como a minha empresa tem processos bem estranhos pra promover a galera. Esse é um dos grandes motivadores pra eu sequer enxergar que meu tempo lá vai durar muito. Desde que percebi esse formato de "sabe-se lá deus quando você vai ser promovido" já me fez pensar na hora que mais de 2 anos não fico. É um pouco cômico pensar que ainda vou completar um ano daqui pouco mais de um mês e já sinto que estou estagnando. 

Também não posso ser uma pessoa ingrata, ter mudado de emprego me proporcionou muitas coisas boas, inclusive um aumento que eu precisava há tempos, mas que hoje em dia já não é suficiente. Uma coisa boa não cancela as outras negativas, assim como em relacionamentos com pessoas, com trabalho não é diferente, então não vou passar pano pra me iludir de novo.

Há umas duas semanas, mais ou menos, meu avô ficou internado (ele está bem agora) porque seus níveis de sódio estavam baixíssimos (eu nem sabia que isso era possível, já que a gente normalmente vive "controlando sódio" por comer porcarias industrializadas) e durante esse período minha família teve que se desdobrar pra conseguir dar conta da situação, que foi esta:

- minha avó não podia ficar sozinha na casa dela, já que em 60 anos de casados eles nunca ficaram longe um do outro;
- meu tio apesar de bem intencionado tem as capacidades de, no máximo, um adolescente quando se trata de ser uma pessoa funcional e adulta;
- os gatos, daqui de casa e da casa da minha tia precisavam de alguém com eles pra dar comida e água;
- alguém precisava ir ver o meu avô e receber os relatórios médicos diários durante a internação.

Com tudo isso e depois de algumas conversas com entrelinhas duras, minha tia foi convencida (e obrigada) a passar alguns dias com minha vó e eu fui pro apartamento dela cuidar dos gatos enquanto isso, já que posso fazer home office de qualquer lugar.

Nesse meio tempo, uns três dias, a mudança de ambiente me fez muito muito bem, despertando de novo a pulguinha atrás da orelha de querer ter minha casa de verdade

É engraçado como mesmo tendo "voltado pra casa" depois de vir do Canadá, não consegui mais me sentir totalmente confortável morando no apartamento de sempre junto com a minha mãe. Mesmo as coisas estando milhões de vezes melhores com a Tchela tendo se mudado daqui, mesmo eu tendo meu próprio quarto, mesmo os gatos estando aqui, mesmo com tudo isso... Uma parte de mim ainda se frustra e se entristece de não residir num lugar 100% do meu jeito. De mim pra mim, sabe?

Pois é, só que pra isso rolar, é preciso fazer escolhas: é preciso esperar ou dar guinadas na vida. 

As escolhas envolvem esperar para ter a minha casa quando eu sair do país, que a cada momento parece uma meta com mais e mais anos de espera; ou alugar algum lugar por aqui enquanto sigo juntando dinheiro; ou simplesmente desistir de sair do Brasil. Sinceramente não acho que eu vá desistir tão cedo, mas a ideia de poder fazer as duas coisas tem hoje um espaço na minha mente e no meu coração cada vez maior. Já dizia hannah montana, "the best of both worlds" hahah.

Com tudo isso em mente, fui atrás de alguns apartamentos pra alugar aqui por São Paulo e até achei alguns bem aceitáveis. Preciso ressaltar que tenho algumas considerações a respeito de alugar um lugar ainda aqui no Brasil. Me recuso a gastar dinheiro pra morar num apartamento, por mais lindo e impecável que seja por dentro, que fique numa área que não me dê gosto de andar e olhar o entorno. Se for pra ficar num lugar que eu saia na rua e não me encha de vontade de existir ali, nem me dou o trabalho, já tenho isso aqui onde estou.

Por isso minhas buscas por apartamentos até que resultaram em algumas opções legais e interessantes, tive aquele friozinho bom na barriga imaginando esse novo pedaço da minha vida... Mas todo esse cenário é impossível com as minhas condições atuais. Não tenho dinheiro pra aluguel+contas+gatos+terapia+comida e gastos extras como faculdade, veterinário do Cuca (milão a cada 2 meses), tudo sem nem considerar 1 coisinha que seja de lazer e muito menos reserva de emergência ou fundos pra sair daqui. 

Resumindo: meu salário não dá pra isso. Eu precisaria de pelo menos 6 mil reais e isso é 30% a mais do que ganho hoje, então sem condições se tudo se mantiver como está. 

Aí que entra a segunda opção, dar uma guinada na vida. Alguns métodos são possíveis. Aos poucos estou retomando minha ideia de fazer comissions para furries, até voltei a desenhar depois de quase dois anos e estou tentando ver como encaixar mais esse trabalho na minha rotina extenuante trabalho+faculdade.

Outra forma de ganhar mais é pegar freelas de design, que é algo que odeio. Um antigo projeto que peguei por pena voltou recentemente e a moça que me contratou (por um valor quase equivalente a esmolas) quer fazer mais coisas comigo, mas ainda não sei se vai rolar agora que vou cobrar um preço minimamente digno. De qualquer forma, como mencionei é algo que odeio e me dá muita ansiedade, então prefiro nem considerar, coloco aqui apenas como documentação.

E, por fim, dá pra mudar de emprego e ganhar mais. Simples assim. Tão simples que, mais uma vez, meu amigo e ex-chefe me chamou pra que eu me inscreva em duas vagas para a empresa onde ele está, com possibilidades de salário entre, adivinhe, 6k e 8k.

Claro que nada é fácil, mas ele aparecer com vagas mais uma vez bem no momento em que minha cabeça tem rodado quase todo dia por questões de dinheiro me fez pensar em como pode ser realmente uma saída possível.

Não vou sair procurando um novo emprego. Mas essa chance aí caiu no meu colo e eu vou tentar fazer dar certo.
Embora me deixe um pouco triste pensar em sair do time em que estou agora, de nada adianta ocupar minha cabeça com um adeus que nem mesmo existe, então vou me fazer um favor e tentar viver um dia de cada vez.

Vou tentar, não me custa nada.

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[sobre mim]

Ontem fui ver o Len e a Gigi, duas amizades dos tempos do AEG que sobreviveram a todo esse tempo. Na verdade, reencontrei a Gigi (antes Okami) graças ao Len, com quem eu tinha conseguido voltar a falar antes de ir pro Canadá, mas depois de voltar acabei me distanciando durante minha fase de reclusão digital. 

Bem, o Len veio falar comigo faz um mês dizendo que estava no Brasil prestes a voltar pro Canadá pra  terminar a faculdade dele e aí conseguimos sair um dia e na última sexta fui até a casa dele pra gente passar a noite juntos e depois encontrar a Gigi e comer ramen como despedida antes dele voltar pra Toronto.

Tudo isso foi uma experiência muito gostosa. Há um tempinho, como falei aqui, eu estava sentido muita falta de novas amizades, em especial de gente que partilhasse das mesmas posições políticas e éticas. A partir daí conheci o Greg (meu amigo ecossocialista que quer ser mais que meu amigo haha) e é uma coisa muito boa, mas não era suficiente. E percebi que não era suficiente depois de sair com o Len e passar horas e horas falando sobre mangás, animes, desenho e todas essas coisas que acabei guardando pra mim depois de terminar o curso de animação. 
Mesmo na VFS, apesar de ser muito incrível poder conversar com gente que entendia o meu amor e intensidade sobre animação e ilustração... nunca encontrei (ou nunca me abri o suficiente para encontrar) alguém com quem fosse possível falar de BL, otome games nem nada disso. Mesmo gente que conheci durante esses anos e que gostavam de anime/mangá, são tópicos muito genéricos e que abarcam um monte de gêneros, então não consegui me alinhar com ninguém. Mas o Len e Gigi seguem na mesma frequência que a minha e pude perceber como isso é bom e faz falta.

Recentemente a Mei também veio aqui em casa, foi uma grande conquista pra mim, já que uma das grandes forças motivadoras de eu querer ter um lugar só meu é poder convidar as pessoas pra vir ficar comigo e fazer rolês baixo custo e alto conforto hahaha. 
Mei apesar de também gostar de BL, é fã dos doramas, enquanto sou uma desgraça pra assistir coisas sozinho haha. Com esse pretexto marcamos uma tarde pra começar a ver junto um dorama que ela me recomendou e também foi ótimo. Ainda não consegui mergulhar como faço com mangás, mas é bem fofo.

Sei lá, foram momentos muito felizes e que quero replicar. 

Existe a possibilidade de que eu esteja projetando tudo isso em cima da ideia de "ter um apartamento meu" e no fim seja mais questão de organizar minha vida pra comportar esses momentos na configuração atual, do que me mudar, mas por hora quero seguir com esse objeto de desejo/meta/frio na barriga.

Também falei pro Sérgio sobre minha descoberta sobre conseguir sentir meu coração e amar estar vivo. Acho que na hora ele quase chorou, ficou emocionado mesmo haha.
Foi bom compartilhar isso falando, me ouvir descrever a felicidade deu um peso maior pra tudo ♥.

Outra coisa boa que vale registrar é como tô felizãoooooo, usando minhas roupas do jeitinho que sempre quissssss!!!1!!!

Sério, é bom demais. A Tchela me deu 2 casacos ✨incríveis✨ e que eu tava querendo muito comprar mas similares tavam em torno de 600 reais e, obviamente, não comprei então os presentes dela tão realizando meus sonhos de inverno haha.

Me sinto um gostoso da porra, juro. 

Ainda quero umas blusas de gola alta, mas com o que tenho hoje já tô realizando vários sonhos cotidianos. 

Sempre penso em como roupa é uma coisa importante pra mim. É literalmente uma forma chave de me expressar e a questão é muito menos de "mim para o mundo" e sim a reflexão de "como estou me sentido" e como colocar isso pra fora através das peças. Enfim, momentos de vida de mim pra mim.

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Ai, eu ia falar de relacionamentos ainda... mas já tá muito tarde e amanhã começo cedo no trabalho.

Fico por aqui, foi bom escrever.

Falei com o Sérgio também sobre como tô tentando retomar hábitos que me fazem feliz e escrever no blog periodicamente é um deles. Espero conseguir.
Por hoje já quebrei meu recorde do ano de postar em menos de 1 mês, vamos torcer haha.

18/07/2022

Ai, eu sei lá

As vezes eu fico tanto tempo pensando em escrever que, no fim, acho que já escrevi e quando vou ver foi só sonho.

Nesse meio tempo tive vários desses momentos, achando que tinha registrado um montão de coisas e descobrindo que não coloquei nadinha pra fora.

Ai ai. 

Assim como tem sido nas sessões de terapia, não sei direito por onde começar, a não ser pelo "ai ai" que é praxe. 

Bem, vou partir do último post, em que usei o conversor voz/texto e estava pertinho de receber alta da cirurgia. 

É engraçado porque ao mesmo tempo parece que já faz muito tempo e, dependendo do contexto, parece que foi ontem. Ainda preciso me lembrar de que posso fazer algumas coisas, como encostar no meu peito, porque eu não vou ficar triste, muito pelo contrário.

Uma coisa maravilhosa que descobri depois da cirurgia é como agora eu consigo sentir meu coração batendo forte. É uma sensação que nunca nem almejei nem nada, mas me emociona muito e me preenche com uma felicidade gigante.

Algumas vezes me percebo colocando expectativas estéticas sobre o meu corpo, algumas já conhecidas e outras novas, vindas do novo "estar no mundo", mas ainda assim não menos duras e problemáticas, totalmente desnecessárias. Minha barriga, meu pescoço, minha pele, meus pés, sempre aparece alguma coisa que me tira o foco de tudo que eu consegui pra mim e tudo que tenho pra amar. O exercício de se gostar ficou mais fácil, mas ainda tem coisa pra resolver, talvez pra sempre. Sei lá, é uma merda a gente se impor tanta coisa.

Voltando a falar de felicidades, minhas cicatrizes são uma caixinha de surpresas. Quando eu olho pra elas, me parecem muito mais clarinhas do que quando olho no espelho ou em fotos... Me pergunto o que exatamente é real, mas de todo modo elas sempre me surpreendem. Apesar de ter várias coisas que estão em constante mudança no meu corpo, desde cabelo crescendo à cicatrização de tatuagens, o branqueamento das cicatrizes é um processo tão longo que acaba me fazendo prestar muito mais atenção que o normal.

Acho que é como alguém que tem uma planta germinando, cada sinalzinho de desenvolvimento é um acontecimento. É a figura mais próxima que posso trazer como comparativo haha. De todo modo é uma coisa boa, mal posso esperar para quando completar 2 anos e o "resultado final" estar a mostra. 

Ainda me preocupo um pouco sobre deixá-las a mostra, tenho começado (muuuuuuuito lentamente) a tentar conhecer pessoas novas e esse é um ponto que fica surgindo no fundinho da minha mente. "será que não tá muito vermelho?" "eu preciso explicar alguma coisa?"

Sinceramente morro de vontade de poder ficar sem camisa num lugar seguro e compartilhar a imensidão de felicidade que eu sinto quando olho pra mim... Espero encontrar logo essa oportunidade
Sei que perdi uma grande chance não indo pra marcha trans (nem na parada), mas bem, ainda não cheguei no nível de desprendimento suficiente pra ir sozinho em nenhuma dessas coisas. Na parada eu até teria com quem ir, mas tava com suspeita de covid, então tive o bom senso de me resguardar (e proteger as pessoas de mim também, né).

Falando sobre isso me fez lembrar de que preciso colocar os coletes pós cirúrgicos a venda no enjoei. A situação financeira aqui em casa tá bem foda e qualquer coisa que traga um retorno é bem vinda. Faz tempo que pensei nisso, mas nunca conseguia parar pra me organizar. Ainda não consegui, só estou verbalizando aqui haha.

Indo de um assunto lindo para um sufocante, dinheiro é algo que eu sinto que estou lidando de forma bem caótica.

Como falei antes, tá complicado aqui em casa. Comprei um aparelho auditivo pra minha avó de 4 mil reais (sim, 4!!!!!) e para além disso gastei mais uns 2 mil com o Cuca no mês passado e ele deve voltar em agosto pro vet pra refazer os exames (ou seja, mais pelo menos mil reais indo embora)... Minha mãe também começou a tomar os remédios psiquiátricos dela e dei de presente de aniversário as primeiras caixas. E puta merda, como remédio psiquiátrico é caro, vai se foder. 

Todos esses gastos fiz com amor e faria de novo, mas a dificuldade não muda só porque era o certo a se fazer. O Sérgio fala bastante sobre isso comigo, sobre não ser desamor nem individualismo não usar os recursos que tenho pro meu futuro com pessoas adultas que podem fazer escolhas pra se cuidar e bem, ele está certo. 

Isso nem se aplica à minha mãe ao Cuca, claro. Porque pra minha mãe eu escolhi ajudar e, obviamente, eu escolhi ter o Cuca, a Kiwi e o Biscoito. Mas realmente, o estresse que a gente passa aqui em casa pra lidar com as finanças dos meus avós é algo que eu gostaria muito de evitar. Não era preu estar nesse rolo, saca? Mas minha mãe é a única filha que liga pros pais, então acabo sendo um apoio, até porque eu amo os meus avós, né? Então se não tem quem se preocupe na geração correta, acabo entrando de step. E de novo, não é porque é a coisa "certa" que não seja difícil ou desgastante. 

Na verdade é desgastante pra caralho. E por isso eu acho que acabo estourando. As vezes me sinto tão impotente e acorrentado a cuidar do futuro dos outros quando nem seria minha obrigação que me dá vontade de fazer idiotice de adolescente. Gastar com coisa idiota, com coisas que eu queria, mas que sei que não são prioridade. Na verdade, na hora essas coisas até parecem prioridade, porque se eu quero... porque não posso priorizar? 

É bem confuso, na real. Nestes últimos três meses devo ter gasto uns mil reais só em roupas. Pra mim isso é um total e completo absurdo, na real. Ok, eu comprei um monte de coisas, então não é como se tivesse um custo-benefício ruim, mas ainda assim M I L reais. Que loucura.

De fato, depois da cirurgia eu perdi quase todas as minhas camisetas e já tinha tempo que precisava de umas coisas, mas sinto que podia ter feito menos compras. Só que é isso, na hora me dá um estalo de "foda-se todo mundo eu vou comprar alguma coisa pra me agradar porque senão vou morrer nessa merda sem nem ter me cuidado" e cara, que pensamento mais juvenil, puta merda hahaha. Mas é como me sinto e quando vou ver, fui lá e fiz, não tem retorno.

Acho que se fossem só essas compras nem teria tanto problema, o ruim é o conjunto da obra mesmo. Meu cartão de crédito fechou em quase três mil reais e isso me assusta bastante (aí dentro tem minha mensalidade da faculdade e gastos com vet + remédios, tá? falando pra apaziguar minha própria consciência haha). Vai começar a ficar em menos de mil reais só a partir de novembro e é surreal como isso tá acontecendo. Parece que outra pessoa invadiu a minha vida e teve um surto consumista, sabe? Eu nunca fiz nada parecido, então tô tentando aprender como navegar nesse mundo adulto em que "se agradar" muitas vezes significa "gastar".

Sei lá, isso tudo de lidar com dinheiro é muito bizarro. Acho que juntei por tempo demais e não aprendi a lidar com um fluxo corriqueiro de entradas e saídas. Tudo me apavora e sinto que tô saindo de controle. Talvez eu até esteja mesmo, não sei até onde o medo é descabido ou coerente... Sei lá, de novo.

Chega de falar de coisas sufocantes.

Hahaha, assim que escrevi isso me veio que "se é assim não vou nem mencionar meu trabalho aqui". Pois foi um pensamento muito acertado, não vou deixar o resto desse post afundar com coisas que sequer me preenchem.

Bem, então tá. Vamos falar de coisas edificantes ✨


Não tinha como não colocar o meme do galo "fofoca?" depois de escrever edificante hahah. Eu amo esse galo, a patinha dele segurando a jarra é tudo pra mim.

Enfim, voltando a nossa programação normal ahah. 

É meus amigos... E não é que meu hábito de ler mangás segue firme e forte? 

Sinceramente, se não fossem os BLs fofos que tenho lido nos últimos anos, não sei o que teria sido da minha estabilidade emocional. Pra coroar minha felicidade recente, o MAL recentemente lançou (na verdade deve ter faz mó cota, mas eu demorei a perceber) uma ferramenta que deixa você fazer listas de mangás/animes com categorização personalizada e, minha nossa, como esperei por este momento!!!

Conseguir catalogar meus mangás preferidos é algo que tenho vontade há tempos e, enfim, ver tudo organizadinho me deixa bem feliz. A felicidade está nas pequenas coisas, SIM.

Pra além da catalogação, realmente tenho lido muita coisa boa nos últimos tempos. Até é algo que me deixa com a mão coçando pra fazer logo minha retrospectiva de 2021, porque nela quero colocar uns mangás e webcomics que li no ano passado. 

Sim, ainda pretendo fazer a retrospectiva, mesmo que estejamos avançando já o segundo semestre de 2022. Foda-se, eu que mando aqui.

 Mas é, tudo isso pra enaltecer que tô lendo coisas bem boas e/ou fofas. Isso é um ponto que ao mesmo tempo que me deixa com o coração cheinho de algodão me dá uma sensação de falta as vezes. Falta de 1. pessoas pra compartilhar essas belezinhas e 2. de uma história romântica pra chamar de minha kkcry.

Sim, o bichinho do "Grande Talvez" voltou a me morder e, especialmente depois da cirurgia, minha impaciência pra viver um relacionamento tem crescido. 

Inclusive, até instalei o Bumble deve ter uns 2 meses já e venho tentando ver se encontro pessoas que me deem vontade de conversar. Na real, embora eu ache o app bem legal e prafrentex, o lance de pessoas não binárias, assim como mulheres, ter que dar o primeiro passo me dá um tanto de ansiedade haha. 

Claro que não é só isso que me deixa meio a flor da pele com toda essa situação de tentar conhecer gente nova, também tem o fator: eu realmente vou precisar conhecer essas pessoas e muitas delas não serão o que espero e isso me estressaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

Sério, na real acho que quase tudo me estressa nesse tópico. Quando eu encontro o perfil de alguém que acho interessante me bate um nervoso e eu fico tentando achar formas do app atualizar pra pessoa sumir (????) e eu poder seguir com os "nãos" sem apostar numa possível conexão por quem tive interesse. Por que???? Pois é, também não encontrei uma resposta que faça sentido ainda. Medo de dar errado, medo de dar certo, tudo junto e misturado.

Haaa, descobri que odeio essa parte de "conhecer". Queria poder pular direto pra uma relação estável e morninha, já dentro da rotina e hábitos, sabe? 

Novidade definitivamente não é comigo haha. 

Vou contar minhas experiências até o momento, já que elas são breves.

Primeiro, tive alguns vácuos, para os quais eu não estava preparado, sério. Passei mó nervoso pra nada, que ódio hahah.

Passei tanto tempo decidindo se ia dar "sim" pra pessoa, sabe? Daí ainda por cima tive que tomar coragem pra puxar assunto e... Nada... Conexão expirada. Vai se foder, cara.

Sei que ninguém tem nada com a minha angústia autogerada, mas mesmo assim, que saco hahah.


Além desses vácuos, comecei a falar com 2 pessoas, um era professor de física e apaixonado por astronomia e os gatos dele e o outro é um menino ecossocialista que desde o início eu soube que nunca quereria beijar e sim, apenas criar uma amizade, pois: primeira pessoa ecossocialista ao meu alcanceeeeee 🥺🥺 por favor vamos ser migos, quem precisa beijar bocas #salivasuperestimada.

No fim da semana passada o professor de física me deixou no vácuo então acabou por aí. Sinto que ele me fez um favor, sinceramente. Até que podia ser alguém legal, mas senti que tínhamos energias muito diferentes. Eu escrevia horrores e ele respondia com 2 palavras ou "hmmm". Que desperdício do meu tempo e empolgação, sabe? 

Total sem ressentimentos.

O Gregs, meu amigo ecossocialista não monogâmico (apesar de eu achar que a não monogamia é uma parada super embasada e tal, mesmo que eu ainda não tenha chegado lá, gente que se define "não-mono" me dá um irkzinho, mas ele também sente isso então tá desculpado haha) é ótimo. 
A gente tem conversado bastante com áudios longos sobre várias coisas e mesmo mandando 8min ele escuta tudo no 1x e é uma pessoa super receptiva. É alguém que quero como amigo mesmo, até saímos esse domingo.

Acho que devo ter confundido um bocado a cabeça dele, já que a gente saiu e teoricamente seria um encontro, mas eu não conseguia encarar aquilo como nada além de uma saída com amigos, então não rolou um nadinha de clima e no fim fui embora na maior paz. Mas sei lá, ele também não fez nada que me desse a entender que queria alguma coisa. Talvez ele ache que sou demisexual? 
Bom, ele tem outras pessoas com quem conversa, então estou contando com esse pessoal aí pra preencher a parte romântica da vida dele, além da parceira de relacionamento principal dele. Que eles cuidem dessa parte enquanto aproveito minha amizade hahah. 

Em algum momento acho que vamos ter que conversar sobre isso, mas não sei como trazer esse assunto pra mesa. É uma merda como sempre acabo ficando com coisa entalada na garganta quando se trata de vocalizar necessidades.

Eu achava que depois de toda porcaria que passei por falta de comunicação e ignorar minhas vontades eu teria aprendido a lição, mas parece que continuo com tanto medo quanto antes. Ai ai, preciso falar disso com o Sérgio.

É, por enquanto é isso desse assunto. Preciso tomar coragem pra dar mais "sim" nas pessoas que talvez tenham potencial de serem legais. Levar como exemplo o prof. de física que deu um fim a nossa quase-alguma-coisa sem futuro, pensar que não é pra ser algo tão pesado e que tá tudo bem não ser um turbilhão de cara e tá tudo bem também se depois eu não quiser nada. 

Mais fácil falar que fazer, quero só ver.


Tenho mais coisas pra falar, mas esse post já está grandão. Finalizo por aqui...

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Nath, passando pra te dar um recadinho de rodapé e reforçar como te amo infinito 🧡. Só consegui ler seu último post no final de semana e tudo que posso dizer é que desejo todos os dias que o melhor do mundo preencha os seus dias e que você tenha trilhões de dias ensolarados pela frente. 
Sei que as coisas não estão fáceis e que a perspectiva de tudo pesar menos ainda não está despontando no seu horizonte, mas ela existe e vai chegar.

Enfim, você é uma existência essencial na minha vida e me deixa feliz só de saber que você existe então, sempre que puder cuide de você e se abrace enquanto eu não posso. Claro que quero que você faça tudo isso por você mesma, mas quando for difícil demais ter essa motivação, pode usar a minha se de alguma forma te ajudar a se manter mais tempo aqui. Te amo muito mesmo.