16/02/2026

Mais um dia e mais uma crise e mais um dia e mais


Tô cansade. De verdade.
Do dia 04 pra cá a vida deu umas 5 guinadas diferentes.

Deu uma merda gigante no meu trabalho, meu chefe me defendeu, recebi uma proposta pra mudar de time (ótimo), e depois veio um pouco de calmaria.

Em casa, o Biscoito tava ok, estável, com resultados de exames equilibrados, tudo indo. Passando uma semana, ele ficou com uma gastrite por tentarmos um novo remédio. Levei ele numa especialista em felinos de novo desde abril do ano passado.
Tudo mudou, tirou vários remédios (ele estava tomando remédio 13x ao dia), o foco agora era menos o rim e mais a parte gastrointestinal. Uma consulta otimista e confiante.
Só que foi daí pro fundo do poço. Ela tirou várias medicações, inclusive a Mirtazapina - responsável por aumentar o apetite dele. E ele foi comendo menos e menos e menos, até chegar num nível crítico e a única sugestão foi interná-lo e, em caso de recusa a alimentação nas 24h de internação, colocar a sonda de alimentação. 
E comecei a surtar, procurando o que fazer, já que se eu não pensasse em soluções ninguém pensaria por mim. Lembrei de tentar patês em latinhas caríssimas que ele aceitou há mil anos quando estava tão ruim quanto. Acionei a veterinária paliativo que havia visto ele exatos 7 dias atrás. Marquei um encaixe com a Aline. Tudo isso no dia em que fui ao psiquiatra chorando copiosamente e ele me deu uma semana de atestado.
Pelo menos o surto trouxe resultados. A paliativo passou medicações - voltou com a Mirtazapina em dose cavalar e dipirona (a especialista concordou com tudo, me admira ela não sugerir o mesmo antes da internação), e ele aceitou comer as comidas pastosas desde então. Não está perfeito, nem bom, mas está melhor de um jeito que evita a sonda. E isso já tem que estar ótimo.

Não sei se mencionei aqui, mas desde dezembro, quando os dias começaram a esquentar mais e mais, o Biscoito começou a comer cada vez menos, chegando a ficar abaixo da ingestão mínima pra manutenção do peso. Esse foi o ponto que me levou a testar a medicação alternativa para o apetite, que acabou gerando a gastrite. Durante esses meses eu senti que havia chances concretas do Biscoito não passar do verão. 
Acho que a parte mais difícil é desapegar da ideia de que ele estava comendo mal, mas ainda assim muito melhor do que agora, e que isso talvez pudesse ter sido mantido caso a medicação da fome não tivesse sido interrompida. Mas foi. E agora estamos num cenário 10x pior. 
A paliativo não acha que ele está próximo de um momento crítico, mas que essa é uma crise que pode ser revertida até certo ponto. Agora que ele voltou a comer (quase nada, mas mais que há 48h) também acho que é o caso. Só que a possível recuperação dele me parece tão discreta, que acho muito difícil não pensar que este período foi o ponto de inflexão que tornou tudo uma questão de curto prazo.

Semana que vem vamos começar com sessões de acupuntura, e em março chega o CDB, as duas 
últimas esperanças de reversão maior do quadro de inapetência. E bem, nesse momento em que cada hora é um eterno alerta, março me parece muito longe. Mas é o que temos pra hoje. E pra amanhã. Por mais sei lá quanto tempo, uma previsão de dias bem agradáveis, com certeza.

No meio de tudo isso preciso continuar no controle, dando conta. Minha mãe tá vindo dormir aqui 2 vezes na semana, sigo fazendo 2 sessões de terapia por mês (com psicólogos diferentes, porque 1 é grátis haha) e me esforçando bastante pra manter a reposição de ferro e vitamina D. 
Fora isso ainda preciso encontrar mais formas de me ajudar, porque a perspectiva não tá das melhores. Vou ter que diminuir em 2/3 as visitas da Bia pra conseguir custear os novos tratamentos do Biscoito (400 reais pra 30mL de CDB não é mole não), o que significa que vou passar a dar soro pra ele eu mesme. Isso por si só já é um estresse, e ainda tem o resto. 
Preciso me concentrar também no trabalho, não posso bobear e fazer se arrepender quem quis me dar uma chance de mudança pra melhor. Tudo vai se somando. 

E é assim que, em pleno carnaval, eu passo o tempo com atestado, descansando sem descansar muito, um olho no peixe outro no gato. 

Mas sinceramente, tá tão melhor que semana passada, com ele comendo e eu podendo respirar, que nem posso reclamar tanto. Mais uma vez, tenho que acreditar e aceitar que as coisas vão se ajeitar como tiver que ser. 

Essa crise vai passar, e a gente vai sair menor dela, mas vai sair e ponto. Vou ajustar a rota e dar conta, pedir ajuda, me conceder pequenos confortos... Vamos indo

04/01/2026

Retrospectiva 2025

 

Ai, eu queria escrever sobre todos os pontos, discorrer sobre os tópicos da minha vida, as histórias que mais gostei, falar sobre os filmes, um grande diferencial desse ano, queria falar de Moomin (um fenômeno que salvou minha sanidade no começo do ano), mas não vai rolar. Pelo menos não agora. 

Preciso aceitar que onde cheguei já é bom o suficiente pro agora. Retoques podem vir mais tarde. Assim como podem não vir, e não vai ser o fim do mundo.

Me recuso a deixar mais uma retrospectiva esquecida no limbo porque não fui capaz de pontuar tudo que eu queria a tempo.

Enfim alguma mudança. Mesmo que bestinha.

[Vida] 

  1. 9 meses no meu apartamento
  2. 2 meses dele quase completo e uma sala que dá gosto de ver
  3. Tentei conhecer pessoas novas
  4. Fui ao cinema num número recorde desde a pandemia
  5. Comecei a fazer pilates e yoga, e aí a yoga foi tirada de mim
  6. Superei alguns medos e criei outros
  7. Biscoito segue firme, mas nem tão forte e faz parte 
  8. Recebi um montão de gente em casa
  9. Cheguei num fundo do poço e saí dele, voltando ao zero como vitória
  10. Voltei a desenhar, no natal


[Filmes]

  • Ainda estou aqui
  • O Menino e o Mundo
  • Memórias de ontem
  • Sussuros do coração
  • O Agente Secreto


[Música]


  • CA7RIEL & Paco Amoroso
  • Mãeana e João Gomes
  • Tender
  • Glass Animals


[Mídia]

  • Moomin
  • Epic
  • Beta Boechat
  • Matando Matheus a Grito


[Livro]

Guerras híbridas – das revoluções coloridas aos golpes  - Andrew Korybko


[Mangás]

  
    

    

    
 
    

    

  

  

[Webcomics]


    
Our Sunny Days // You Get Me Going // The Shape of Your Love

   
Third Ending // Worth the Wait // The Insatiable Man

 
Roses and Champagne // Aporia

Destaques incríveis

Sketch

Punch Drunk Love

Define the Relationship

Lover Boy

The Evening Breeze Blows

My Way with You

Olhando pra frente...
No fim abordei isso aqui em outro post. Olhando pra frente, parece que tem um pouco de olhar pra trás também, além de parar de fechar os olhos pra uma frente além do que eu quero enxergar.

Que venha um ano em que eu aprenda a imaginar futuros possíveis depois da juventude.

Metas diferentes - no fim não foi sobre isso


A vida é uma coisa bem curiosa, né?
Eu tava pensando em como começar esse post, já há uns dias, indo e vindo em ideias e tópicos, e sentimentos completamente distintos cada vez.

Sei lá, antes de chegar essa primeira segunda de janeiro, eu cheguei a pensar que era o fim do mundo algumas vezes durante o fim do ano. Algumas dessas vezes minha mente já estava num estado de resignação total, em outras tudo era desesperador, e também tinha momentos de questionamento desses fins possíveis e/ou iminentes.

Acho que nunca antes eu sofri por ter uma pausa na terapia no fim do ano. Claro, eu odeio dezembro em geral, quase todo ano o período de festas me deixa com algum gosto amargo, maior ou menor. Mas pensar na falta de terapia nunca foi parte desse processo. Cheguei a pensar em chamar a Aline nas últimas 2 semanas.

Sinceramente, nem sei mais o que estava tão pesado pra me fazer querer falar com ela. E assim segue a minha vida cheia de intensidade e amnésia logo depois haha.

Na real, agora, nesse exato momento nada tá tão ruim assim. Fiquei pensando o quanto foi bom e importante eu ter separado esse primeiro final de semana pra ficar só comigo, sem nenhuma expectativa.
Eu montei todo o esqueleto da retrospectiva de 2025 (em tempo récord), li um montão de capítulos de webcomics, revi uns mangás que supostamente eu tinha gostado bastante ao longo do ano (e não me lembrava, daí queria reler pra ver se entrariam ou não na retrospectiva), comi o que queria comer, dei todos os remédios pro biscoito. Sem crise. Foi bem confortável. E me deu tempo pra pensar com agência, fora do embalo produtivo.

Talvez tenha começado na semana do natal, ou um pouquinho depois, tenho refletido muito sobre querer, poder, fazer, e o que eu posso e devo me proporcionar em cada um desses pontos. Ao mesmo tempo que sinto ter muito o que querer, desde banalidades pra ocupar minha ansiedade, ou coisas que não posso comprar nem "merecer" como a saúde do Biscoito, ou de qualquer um, me sobram algumas opções. Dessas, a maioria envolve fazer. Um fazer que as vezes vai além da minha casa, ou de cliques, mas nem sempre. Ou, em casos mais difíceis de lidar, o querer não tem previsão de acontecer, e tenho que aceitar que é o que tem pra hoje. Pra amanhã, e talvez pra 2026 como um todo. E tem que estar tudo bem, apesar disso. 

Então tô tentando buscar formas de fazer ficar tudo bem. Descobrir os elementos que podem acolchoar meus dias pra ficar tudo bem, pra amenizar os agudos.

Hoje enquanto conversava com a Bia depois do soro do Biscoito ela me falou algo que encaixa muito bem nisso tudo: tem coisas que a gente pode guardar pra fazer quando se aposentar, ou daqui 5, 10, 15 anos, quando as condições estarão melhores, sim ou sim. E, sendo realista, ela tem toda razão. 

Nunca foi muito meu estilo planejar tão longe assim. Sempre vivi no futuro, desde criança, mas nada tão longe assim. Na verdade, já faz um tempo que o futuro dos meus sonhos é o meu agora, meus 20-30, tenho ficado numa angústia cada vez maior por não conseguir realizar tudo que estava nos meus planos, lidando com imprevistos e com a vida sendo como ela é. Com dores e finais.
 
Acabei me sentindo sufocade com a perspectiva de que o meu agora está seguindo um curso diferente do que sempre sonhei e trabalhei tanto pra conseguir, e que não importa o que eu faça, tudo que me resta é esperar o tempo passar. E aceitar o tempo passar, principalmente.

Mas na realidade, os 10 anos compreendidos entre 20 e 30 são só um pequeno pedaço de tudo, e não tem nada que diga que serei menos capaz de realizar nada depois de alguns ou muitos anos. Eu só não me preparei pra envelhecer, não sonhei esse futuro ainda, e acho que esse é um exercício bem difícil de se fazer.

Pensar o envelhecimento é um tanto antinatural numa sociedade que estampa a vida "que vale ser vivida intensamente" só até certa fase. Depois vem o que? Não sei, não consumi nada sobre isso, nunca pensei sobre, tenho medo porque prova que o fim está mais próximo. Ninguém pensa muito sobre o fim antes dos 30. É confortável, no meio de tudo. Um entremeio das fases.

Parando agora pra pensar que talvez eu esteja vivendo a crise dos 30 com 27 anos, hahahah. O que seria bem a minha cara, já que não tive crise dos 25, já que passei por isso aos 22-23. Ai ai, como é bom perceber nossa insignificância e previsibilidade documentada por tantos e tantos casos anteriores.

Já nem sei mais o que eu queria falar aqui. Era pra ser um post de metas, com um guia legal que achei no instagram, mas agora já virou algo em si mesmo. Cancela a ideia anterior, novo tema fresquinho aqui, haha.

Bem, no meio de toda essa reflexão, achei que naturalmente eu chegaria no tópico que queria abordar aqui sobre mais uma vez retomar (e querer retomar ainda mais) coisas do meu passado. Hoje passei parte do dia revendo vídeos da Jout Jout, por exemplo. E acho que vou fazer isso até ter visto todos os vídeos dela. Comecei um tanto de surpresa, depois de ver um vídeo que mencionava ela e dar um clique interno de "talvez ouvir o que a Julia falava naquela época faça sentido pra mim agora". E não é que fez? Depois de ver alguns dos vídeos, descobri que na época do canal a Julia tinha entre 25-29 anos e, bem, acho que agora é a minha hora de escutar tudo.

Quando ela estourou não me pegou muito, como tudo que fica famoso. Então cá estou anos depois pra revisitar e tirar meu proveito na minha fase. Algumas coisas nunca mudam.

Também pensei em comprar uma tv, pra tentar me reconectar com coisas que eu gosto ou gostava, como assistir coisas bonitinhas pra passar o tempo e me aconchegar.

Estou tentando criar uma visão de futuro próximo que me cerque de conforto dentro de casa, já que a previsão pra 2026 é que meu ano seja praticamente enclausurade, pra cuidar do Biscoito. E é isso que preciso mudar, a ideia de clausura. Preciso transformar isso no máximo de leveza possível, porque muita coisa já é e será difícil, e quero fazer o que der pra não potencializar esses momentos. Pelo contrário, tô tentando mapear o máximo de coisas felizes e gostosas que eu possa fazer na situação atual, pra me dar esperança e um norte. Preu não me deixar vencer.

Vamos ver.