23/05/2018

hoje é aniversário da minha mãe





Hoje é aniversário da minha mãe. Pelo menos aqui, quatro horas atrás do Brasil.
Hoje eu voltei pra casa mais cedo pra ficar deitada na cama por horas só pra não ter que lidar com minha falta de conexão com minha classe.
Hoje mais uma vez todos saíram e me deixaram pra trás.
Hoje mais uma vez o Kal, que costumava ser um dos meus melhores amigos ignorou minha existência por completo enquanto ia pra lá e pra cá com a Jackie.
Ó, minha experiência aqui tá 10/10.
Meu aniversário passou, não fiz alarde, não fiz nada. Dormi 18 horas.
Quase todo dia eu volto pra casa pura e somente pra não encarar o quão alien me tornei.
É foda.

Eu e Henry estamos bem. Isto é, tão bem quanto se é possível. Ando pisando em ovos com ele, mas pelo menos as brigas diminuíram.
Dois comprimidos não estão dando conta de nada. Vou começar a tomar três pra ver se pelo menos a química no meu cérebro se ajusta.
Queria poder terminar logo meu curta e ir pra casa. Não quero ficar aqui. Não quero acordar dia após dia num lugar que não me recebe. Num lugar em que nem mesmo eu me recebo.
Mais três meses e eu vou embora. Sei que passa rápido, mas ainda me angustia.
Sei que daqui alguns anos olharei pra essa viagem enumerando a enormidade de vezes em que perdi oportunidades, mas é o que ta dando pra fazer.
Estou na fase “se tudo o que você fez hoje foi respirar, estou orgulhoso de você”.
Tô tão cansada. E é triste porque eu não posso mais me enganar dizendo ser algo físico, quando durmo quase as 24h do dia.

Enfim, sobrevivendo.


30/04/2018

A gente nunca sabe nada


Olha eu aqui, de novo.
Um mês atrás eu tava aqui dando notícias felizes né, que saudade desse tempo. 
É ridículo como os dias passam parecendo meses e com eles vão uns bons anos da minha vitalidade.

Pra variar estou na merda. Sim, esperando meu momento de acabar o momento adubo e ressurgir como uma flor maravilhosa e cheia de espinhos pra ver se esse povo me deixa em paz.

Me descobri em um relacionamento abusivo. De novo. Yay.

Eu e Henry era só alegria até eu descobrir que ele grita. Não obstante, é incapaz de aceitar suas próprias escolhas e me culpa por tudo. Ainda não é suficiente pra você? 
Ok, vamos descarregar o caminhãozinho da merda aqui.

Ele é todo amiguinho da Jackie. E apesar de toda a bosta pela qual passei por causa dela ele insiste em ficar do lado dela, em rebaixar tudo que eu sinto com frases como "você fica triste e emotiva e chora por coisas tão insignificantes". Sim, ele me disse exatamente essas palavras. Mais de uma vez.

É, senhoras e senhores, quando alguém que passou um mês te enchendo o saco pra que você "se abrisse" e contasse seus problemas pra ele e depois menospreza e te joga um Gaslight de nível A+ só faltando me chamar de histérica, você sabe que a merda além de atingir o ventilador chegou até a ventilação da cidade inteira.

Pois é, a vida é ótima. 

O pior é que eu sei que se terminar com ele antes de acabar o curso minha vida vai ser ainda pior. Ele é mais próximo dos meus colegas de sala do que eu, sem falar que estamos morando no mesmo prédio, ou seja, sem opções. 
Vou aturar esse relacionamento em prol da minha sanidade mental, mas né, não vejo a hora de voltar pra casa.

Cansei de viver no Canadá, essa é a verdade. Odeio meu bairro, cheio de mendigos e gente bêbada. Odeio a cidade a noite, nada aberto e gente consumindo drogas sem nenhuma descrição EM QUALQUER LUGAR. 
Odeio a falsa educação das pessoas, um orbigada e desculpa vazios que mais insultam de tanta condescendencia do que outra coisa. 

É, quem sabe alguma outra cidade, mas não acho que eu vá voltar muito ávida a ficar aqui.

Eu sei que é uma fase ruim, que vai passar etc etc. Mas agora me reservo o direito de viver minha fase ruim e pronto.

Não sinto que pertenço a esse lugar. Nem mesmo na escola, não me sinto mais confortável. 

Me enoja o fato de ter que conviver na mesma sala que a Jackie. Sério, nunca alguém me fez tão mal.

Não me sinto a vontade pra desabafar com ninguém, não tenho ninguém pra falar verdades, sequer pra compartilhar interesses. Não tenho mais vontade de sair do apartamento. Não tenho mais vontade de fazer nada, sinceramente.

Mas é, vamos indo. 

08/04/2018

Aff - postagem de duas semanas atras



Aff, odeio não ter wifi.

Aqui no meu apartamento não achei que compensava colocar um ponto de internet, mas minha estratégia sovina de poupar dinheiro tem se mostrado bem irritante.
É verdade que praticamente só visito meu quarto, passo quase todas as noites no apartamento do Henry (ele faz jantinha, como recusar?) e quando venho aqui é mais pra me trocar ou passar no máximo 2h.
MAS PODERIA SER 2H COM INTERNET NÉ NOM? Pois é.
Enfim, chega de reclamar de um tópico que nem tem solução. Pelo menos ainda tenho minhas musiquinhas no iTunes (chorando ao ver o White Shirt? Sim ou com certeza.).

Bem, vamos às atualizações:
Aqui a primavera começou há uma semana, acho. Nada muito mágico ainda, mas é fofo enxergar pequenos botõezinhos de flor na ponta dos galhos pelados das árvores haha.
Dizem que Maio é o mês #realoficial das flores desabrochando e toda aquela coisa linda, então meu aniversário nunca foi tão aguardado com uma expectativa dessas.
Comecei finalmente a trabalhar no meu projeto final! YEAAAAAAAAAS!!!
Minha vida agora faz sentido, senhoras e senhores, amém.
Eu não tinha idéia de como ia me reenergizar começar a fazer o que eu quero, minha nossa. Claro, a vontade de começar o curta tava aí, mas não essa paixão toda de agora, isso é algo novo e maravilhoso.
Enquanto eu levava uma semana, no mínimo, pra fazer uma titica de galinha de animação agora eu faço praticamente uma cena inteira por dia. É muita produção gentemmm, to tão feliz comigo hahah.
Sem falar que se eu continuar nesse ritmo vou conseguir fazer ainda mais projetinhos, experimentar programas diferentes, me aprimorar e, claro ter um portfólio bonitão pra mostrar pros estúdios, porque a vida não se paga com abraços infelizmente.
Ontem foi o último dia de um dos meus amigos da sala que se formou em Dezembro. É triste saber que da sala dele a única pessoa que conseguiu emprego aqui em Vancouver foi a pessoa mais inútil do campus, só por ser canadense e não precisar ir atrás do visto de trabalho.
Mas a vida segue, agora é esperar que quando eu chegue no fim do curso os estúdios estejam cheios de projetos novos precisando do povo internacional (cruzando até os dedos do pé aqui).
Hmm, ah sim, preciso falar do meu apartamentooooo. É perfeito!
Coisinha mais fofa e pequenininha, amo esses 200sq ft (não sei fazer conversão de pés pra metros, foi mal) com todas as minhas forças.
Claro que enchi minhas paredes de pôsteres e fotos, mas agora o toque especial é que eu tenho fucking pisca-pisca aaaaah, tão pinterest hahah. No começo me senti meio besta porque eu mal passo tempo aqui e tal, mas chegar em casa e ver as luzinhas brilhando não tem preço <3
Ontem descobri que não posso deixar minha janela muito aberta, porque pombos são desaforados e entram em casa. Sim, isso quase aconteceu. Sim, eu passei uns bons minutos conversando mentalmente com o pombo pra ele ir embora, e ele foi haha.
Ah, ontem eu vi um guaxinim! Parando pra pensar ontem foi um dia cheio de acasos da natureza hahah. Ai, guaxinins são tãaaao fofos. É como se fosse um gato com mini patinhas e focinho de raposa. Enfim, muito fofo, queria abraçar, mas eles podem ter raiva então fiquei só na vontade :T.
Voltando ao mundo das pessoas: eu e Jackie estamos sem nos falar. Depois do estresse gigantesco pela mudança e mais um monte de palhaçadas dela, acabou que cansei e ela se doeu e agora estamos lentamente retomando contato.
Acho bom até, ela precisa amadurecer e conseguir fazer as coisas por conta própria, assim quando a gente retomar a amizade vai ser de uma forma saudável e não essa dependência quase materna que ela tem.  
Além disso nada demais tem acontecido com as pessoas, o que é ótimo. Chega de drama, grazadeos.
Eu e Henry estamos bem, tivemos uns argumentos, mas nada demais. Estou aprendendo a cozinhar (yay) e vivendo uma vida fofinha de casal moderninho hahah.
Aqui continua frio, continuo comprando mais e mais pelúcias, gastando os cartuchos de tinta colorida da escola pra imprimir imagens inspiradoras, o de sempre.

Tudo bem. Finalmente tudo bem mesmo. Por dentro e por fora.

17/02/2018

Noite dos quinze anos


Cá estou eu assistindo no meio da noite Sixteen Candles, e tudo parece uma bosta, até o mocinho é ridiculamente sexista e meu querido geek apesar de trouxa, bem eu achava que teria uma salvação. Só que nunca né.

São tantos problemas num filme só, gente.
Não posso negar meu amor por Molly Ringwald, mas olha, tudo tem limites.

Gente, que filme mais bosta, que roteiro estúpido. Todo mundo é um horror, os únicos a serem salvos são os avós maternos (acho) da protagonista. Eles são bem autênticos em termos de avosices.

Neste exato momento tem dois adolescentes, a garota estereotipicamente loira e bêbada, meu querido geek agora nem tão querido no momento está planejando filmar sexo não consensual com uma garota bebada.

Mas que caralho.

Enfim, né.

Antes dessa decepção monstruosa assisti A Garota Dinamarquesa e tudo foi lindo e maravilhoso. O final é tão lindo. Parte meu coração, mas de fato, é inteiramente compreensível o modo como tudo acaba.

Depois de toda uma vida de sofrimento e disforia, quando se consegue finalmente se encontrar no corpo em que se habita... Ahhhhh esse filme awwwwwww <3

Ok, minha querida Molly está num lindo lindo vestido e a trilha sonora é o MEU HOMEM, DAVID AI MEU DEUS.

Pelo menos a trilha sonora é decente nesse filme desgraçado.

Bem, voltando a Danish Girl, minha preciosidade: preciso fazer uma coleção de filmes inspiradores, porque olha a vida não tá fácil.

Ainda tenho uns bons trabalhos por terminar e minha vontade de existir fora de casa é zero. Amanhã o Henry vai mudar pro novo apartamento e vai ser um looongo dia, ele tem um mínimo de mobilia auqi em casa, mas ainda assim acho que vai ser tudo na base do ônibus.

As coisas estão melhorando aos pouquinhos no campus. Minha classe é um amor e todos tem sido super carinhosos comigo. Ainda me sinto desconfortável em sala, apesar de bons amigos, a maioria é péssimo em profissionalismo. Então minha classe é um inferno, de gritos acalorados sobre uma partida de Mario Kart a Playlist no último volume de hits dos anos 2000 quando a única coisa que eu quero fazer é trabalhar em silêncio.

Então, cá estou eu. Assistindo filmes adolescentes com roteiros horrorosamente ofensivos e ainda assim comemorando a conclusão dos casais felizes feito uma idiota.

A questão é, será que um dia eu vou aprender a ter um gosto mais decente pra filmes? Provavelmente não, mas né.


P.S.: Sobre a imagem no início do post, não que seja um sentimento generalizado de solidão patética, mas no momento acabo de assistir um filme teen dos anos 80, no escuro, sozinha no apartamento depois de um dia em que mal compareci as classes e jantei 1/3 de um pote de nutela. Não me arrependo de nada.

13/02/2018

distópicos


É coisa demais pra energia de menos (e frio em excesso, eita lugar gelado da porra)
Vamos em tópicos pra tentar cobrir ao menos um centésimo de tudo que tem acontecido nesse país maluco.

Depois de duas das três meninas que estavam morando no meu apartamento irem embora, a que ficou acabou se mostrando um monstro maligno e folgado pra cacete. Depois de muita picuinha, má comunicação e discussões terminando em choro; Eu, Jackie e Henry (que já nem sei mais se cheguei a mencionar anteriormente) acabamos por expulsar a menina. Foi horrível, traumático, uma experiência de vida que jamais repetirei se Deus quiser. Mas né, Canadá segue me fazendo amadurecer 20 anos em meses.


Jackie e eu estamos bem. Depois da pior fase que tivemos, finalmente tive A Conversa e chorei pra ela as pitangas da minha vida. Agora ela compreende muito melhor meu modo de agir e reagir ao mundo e vice e versa. Subimos um degrau importante e agora tudo está em paz entre nós. Claro que ainda temos desentendimentos de vez em quando, como todo casal (insira aqui seu gif do episódio de Bob Esponja em que ele e Patrick adotam um bebê ostra), mas nosso amor segue intacto e inabalável.


Jackie e Thomas estão juntos #realoficial e apesar de não ser um mar de flores pra Jackie (coitada), eu estou super bem com isso. Thomas é um bebê. Olhar pra ele é como me ver com 14 anos de idade. Então né, só amor fraterno mesmo e olhe lá.


Vou me mudar pra um apartamento gracinha perto da escola. Eu, Jackie Henry vamos todos pro mesmo prédio, que atualmente já abriga mais de 40 alunos da minha escola. Nunca vou esquecer meu apartamento atual. Minha vista linda linda linda e os porteiros mais fofos de Vancouver. Ainda assim, preciso ficar mais perto da escola, todo dia é um sofrimento pra sair de casa e enfrentar a rotina, o que me leva ao próximo tópico:


Apesar de a minha escola se vangloriar pela super estrutura e profissionalismo, eles foderam com a minha vida.
Depois de todo o desgaste com o povo morando aqui em casa e o dramalhão que rolou pra expulsar a última das meninas, eu e Jackie fomos atrás de pedir umas mini-férias. O povo aqui é super rígido com presença nas aulas etc etc, e considerando a falta de energia vital da gente, era praticamente impossível ter bom rendimento e estar sempre presente pras 2193823905834 aulas que temos toda semana.
Ok, resolvemos marcar consultas com o pedagogo da escola. Tudo ótimo até aí né, eis que quando eu mando um email pro pessoal de  Serviço ao Estudante eles me respondem com cópia pra escola inteira ler.
E claro que a escola inteira leu meu email. No qual eu dizia que mesmo tomando meus comprimidinhos de sertralina, como prescrito pelo meu psicólogo e psiquiatra, eu estou tendo dificuldades em me sentir motivada e disposta a comparecer as aulas e terminar trabalhos.
Deu um bafafá danado, mas no fim acabei por conseguir quantos dias eu quiser de "folga" com faltas abonadas, tudo isso com a aprovação do chefe do departamento de Animação. Pois é, pegou bem feio pro lado deles, então tá todo mundo querendo me agradar.
Não dou tanta importância assim pro que aconteceu, afinal, não vejo o menor problema em falar de terapia e saúde em frente de ninguém. Mas soube de gente que começou a ridicularizar toda a história e isso acabou me baqueando um tanto.
Agora estou bem mais forte, conversei bastante com a minha mãe, amigos e minha sala como um todo têm me dado muito suporte, mas ainda não me sinto muito a vontade voltando ao campus.
Ontem e hoje dei uma passada e deu pra sentir o modo como as pessoas me olhavam. É diferente agora. Não é pra ser.


Por fim, pra terminar o post com algo mais felizinho: eu e Henry estamos juntos.
Bizarramente acabamos nos enrolando no período de guerra CamxJackie e agora estamos meio que namorando discretamente. O Henry é uma pessoa com experiência de vida gigantesca, só conheço um tiquinho dele, da mesma forma como ele só conhece um pontinho de Camila.
Somos ótimos. É o namoro mais tranquilo que já tive. O gostar mais tranquilo que já tive também.
As coisas são simples, ninguém exige atenção demais, o que incomoda entra em debate e a gente equilibra o tempo juntos sem o nhenhenhe de casal chato.



É, apesar dos altos e baixos eu tô indo em frente. Devagar e sempre.

Jackie me tirando do sério, basicamente


Olha eu aqui. 
Depois de meses e meses, nao achei que fosse voltar a escrever aqui pra desabafar sobre coisas que tem me entristecido.

Que merda, sinceramente foi tanta coisa nesses poucos meses que chega ate a me deixar zonza pensando por onde dar inicio ao meu monologo.


Bem, vamos de tras pra frente.

Eu moro com a Jackie, o que no inicio me fez um bem imenso e me deixou super feliz e realizada tralala, mas agora ta mais pra inferno com esporadicos dias ensolarados.
Cada dia uma coisa nova surge e se torna motivo pra discussao. Odeio briga. Primeiro porque nao sei brigar, nunca briguei na minha vida. 

Depois de quinze anos me enquadrando a expectativas e guardando toda e qualquer opiniao que possa causar impacto negativo em alguem, sei que se eu chegar a um ponto de realmente explodir vai ser um estrago tao grande, nao da pra sequer considerar isso.
Ainda mais numa terra que nao e a minha, longe dos meus amigos e familia, zero protecao e ainda tendo que conviver diariamente com todo o estresse e desgaste da escola. Nao da.

No fim de 2017, quando tava todo mundo praticamente morrendo, minha classe pelo Termo 2, que e conhecido como o mais sofrido de todo o curso e a classe de seniors pela finalizacao dos curtas metragens etc etc; eis que tres das meninas da classe acima da nossa pedem pra passar uns dias no nosso apartamento. 

Admito a falta de bom senso na hora, mas convenhamos, eu tava morrendo; e alem disso super me identifico com a dificuldade que e viver aqui e ter que arcar com despesas ridiculamente altas. Capitalismo e uma merda. Entao eu e Jackie aceitamos e eis que elas passaram as ultimas duas semanas la em casa.

Pra mim foi otimo. Duas pessoas super gracinha, conversas gostosas e leves, nada de drama, sempre se preocupando comigo e sendo gentis e companheiras. 
Jackie nao passou uma noite em casa durante esse periodo.
Alem disso ela queria que eu cobrasse as meninas pra pagar uma parte do nosso aluguel. Eu entendo o ponto de vista dela, mas em nenhum momento ela esteve em casa pra conversar com elas junto comigo e sequer participou das nossas conversas sobre como e complicado viver em paises diferentes com moedas desvalorizadas, familias de classe economica mediana e tudo o mais.

Ela nao sabe o que e isso. Esse e um dos principais motivos pelos quais tenho me frustrado com ela. Nossa criacao e tao diferente, e um abismo. Nao e sobre ter dinheiro, mas tambem sobre saber lidar com responsabilidade, afetiva e pratica. Ela nao sabe encarar o que a incomoda e a unica ocasiao em que o faz e quando tem certeza de que pode atacar o alvo mais fraco e se colocar como vitima da situacao e carrasco do outro ao mesmo tempo. E insano, sinceramente.

E me estressa. Porque eu nao brigo, eu converso e resolvo. Nesses meses em que moramos juntas tivemos tantos argumentos via telefone sem fio atraves de amigos que falavam o que cada uma pensava devido a incapacidade dela em sentar e discutir olhando nos olhos... E rir pra nao chorar, basicamente.

Foram tantas pequenas coisas, desleixo com relacao a casa, vitismo, criancices e reacoes tipicas de crianca mimada; foi um periodo conturbado, mas vamos ver se agora eu aprendo a parar de me apaixonar pela ideia que tenho das pessoas.

Nao que eu nao a ame mais. A amo muito, e sei que e reciproco, mas agora e um amor maduro, consciente e que me colocar como prioridade. Nao me deixo mais em segundo plano pra sair recolhendo e recolando os pedacos dela. 

Mal tenho forcas pra cuidar de mim, tenha do.

Nossa, dando uma passada rapida pelos ultimos posts que escrevi me deu uma certa vergonha dos dramas que passei aqui.

Alem do furacao Jackie tive uma reviravolta em termos de relacionamento que jamais esperaria em solo canadense.
Claro que antes de vir tinha idealizado um namorinho fofo bem estilo Gilmore Girls, mas claro que a vida adora fazer a gente se foder, entao ne, tudo nos conformes. Pra vida, nao pra mim haha.

No inicio me despedacei pelo Diego, Nath ja sabe disso. Foi pessimo, nao posso dizer que estou 100% ainda, mas bem perto pelo menos.
Ainda me pego olhando pra ele em certos 


[[[[[[[[[[Tudo isso foi escrito há mais ou menos um mês atrás, num momento de estresse, rancor e um pouco de birra, com toda a razão do mundo]]]]]]]] 

Mas agora passou e eu tenho coisas diferentes pra dizer, essas impressões já foram, então vamos que vamos num próximo post.



15/10/2017

Vancouver sequestrou meu tempo


Olha eu aqui, quanto tempo.

Tanta coisa já passou, é difícil decidir o que colocar aqui e a ordem das minhas impressões.
Já faz quase dois meses que estou aqui em Vancouver. Muito aconteceu nesses dois meses, mas foi tudo tão rápido que mal deu tempo de digerir. 

É meio sonho, minha vida aqui. Não que tudo seja lindo, mas sempre tem aquela névoa do irreal.

Saí do hotel em que eu me hospedaria até abril. Agora estou alugando um apartamento junto com uma amiga da classe. Jackie é uma chinesa meio maluca e super avoada. É incrível como ficamos tão próximas em algumas semanas. 
Nossa casa é uma gracinha, bem pequenininha, ainda nem tenho minha cama, mas amo esse apartamento com todas as minhas forças.

Estou indo ok com as aulas e trabalhos. Com toda a canseira de mudar de casa (isto é, mudar a Jackie de casa, porque eu só tinha uma mala de mobília) acabei ficando sem energia na semana passada e perdi umas aulas. Nada muito relevante, o bom é que o termo tá acabando então não preciso me preocupar com número de faltas. 

Semana passada foi meio punk. Tive meu primeiro surto em solo canadense, saí no meio da aula, preocupei todos os meus amigos, mas no fim tudo terminou bem.
Amo tanto todos eles, o povo aqui fala sério quando diz que a tua classe vira família. 
Passo todo dia em torno de 15 horas com eles, de 6-12 horas na escola, nem sempre é fantástico, mas eles são.

Sinto muita falta do meu guarda-roupa. É engraçado perceber as pequenas coisas que ativam gatilhos de saudade em mim.

Acho que meu inconsciente está me poupando de pensar na minha família e amigos no Brasil. Sei que tô com saudade, mas nunca me permito passar mais que alguns segundos nisso. Não quero surtar mais.

Tá tudo bem. 

Eu tô feliz, to apaixonada pela minha nova casa, tô seguindo em frente.

É.