A vida é uma coisa bem curiosa, né?
Eu tava pensando em como começar esse post, já há uns dias, indo e vindo em ideias e tópicos, e sentimentos completamente distintos cada vez.
Sei lá, antes de chegar essa primeira segunda de janeiro, eu cheguei a pensar que era o fim do mundo algumas vezes durante o fim do ano. Algumas dessas vezes minha mente já estava num estado de resignação total, em outras tudo era desesperador, e também tinha momentos de questionamento desses fins possíveis e/ou iminentes.
Acho que nunca antes eu sofri por ter uma pausa na terapia no fim do ano. Claro, eu odeio dezembro em geral, quase todo ano o período de festas me deixa com algum gosto amargo, maior ou menor. Mas pensar na falta de terapia nunca foi parte desse processo. Cheguei a pensar em chamar a Aline nas últimas 2 semanas.
Sinceramente, nem sei mais o que estava tão pesado pra me fazer querer falar com ela. E assim segue a minha vida cheia de intensidade e amnésia logo depois haha.
Na real, agora, nesse exato momento nada tá tão ruim assim. Fiquei pensando o quanto foi bom e importante eu ter separado esse primeiro final de semana pra ficar só comigo, sem nenhuma expectativa.
Eu montei todo o esqueleto da retrospectiva de 2025 (em tempo récord), li um montão de capítulos de webcomics, revi uns mangás que supostamente eu tinha gostado bastante ao longo do ano (e não me lembrava, daí queria reler pra ver se entrariam ou não na retrospectiva), comi o que queria comer, dei todos os remédios pro biscoito. Sem crise. Foi bem confortável. E me deu tempo pra pensar com agência, fora do embalo produtivo.
Talvez tenha começado na semana do natal, ou um pouquinho depois, tenho refletido muito sobre querer, poder, fazer, e o que eu posso e devo me proporcionar em cada um desses pontos. Ao mesmo tempo que sinto ter muito o que querer, desde banalidades pra ocupar minha ansiedade, ou coisas que não posso comprar nem "merecer" como a saúde do Biscoito, ou de qualquer um, me sobram algumas opções. Dessas, a maioria envolve fazer. Um fazer que as vezes vai além da minha casa, ou de cliques, mas nem sempre. Ou, em casos mais difíceis de lidar, o querer não tem previsão de acontecer, e tenho que aceitar que é o que tem pra hoje. Pra amanhã, e talvez pra 2026 como um todo. E tem que estar tudo bem, apesar disso.
Então tô tentando buscar formas de fazer ficar tudo bem. Descobrir os elementos que podem acolchoar meus dias pra ficar tudo bem, pra amenizar os agudos.
Hoje enquanto conversava com a Bia depois do soro do Biscoito ela me falou algo que encaixa muito bem nisso tudo: tem coisas que a gente pode guardar pra fazer quando se aposentar, ou daqui 5, 10, 15 anos, quando as condições estarão melhores, sim ou sim. E, sendo realista, ela tem toda razão.
Nunca foi muito meu estilo planejar tão longe assim. Sempre vivi no futuro, desde criança, mas nada tão longe assim. Na verdade, já faz um tempo que o futuro dos meus sonhos é o meu agora, meus 20-30, tenho ficado numa angústia cada vez maior por não conseguir realizar tudo que estava nos meus planos, lidando com imprevistos e com a vida sendo como ela é. Com dores e finais.
Acabei me sentindo sufocade com a perspectiva de que o meu agora está seguindo um curso diferente do que sempre sonhei e trabalhei tanto pra conseguir, e que não importa o que eu faça, tudo que me resta é esperar o tempo passar. E aceitar o tempo passar, principalmente.
Mas na realidade, os 10 anos compreendidos entre 20 e 30 são só um pequeno pedaço de tudo, e não tem nada que diga que serei menos capaz de realizar nada depois de alguns ou muitos anos. Eu só não me preparei pra envelhecer, não sonhei esse futuro ainda, e acho que esse é um exercício bem difícil de se fazer.
Pensar o envelhecimento é um tanto antinatural numa sociedade que estampa a vida "que vale ser vivida intensamente" só até certa fase. Depois vem o que? Não sei, não consumi nada sobre isso, nunca pensei sobre, tenho medo porque prova que o fim está mais próximo. Ninguém pensa muito sobre o fim antes dos 30. É confortável, no meio de tudo. Um entremeio das fases.
Parando agora pra pensar que talvez eu esteja vivendo a crise dos 30 com 27 anos, hahahah. O que seria bem a minha cara, já que não tive crise dos 25, já que passei por isso aos 22-23. Ai ai, como é bom perceber nossa insignificância e previsibilidade documentada por tantos e tantos casos anteriores.
Já nem sei mais o que eu queria falar aqui. Era pra ser um post de metas, com um guia legal que achei no instagram, mas agora já virou algo em si mesmo. Cancela a ideia anterior, novo tema fresquinho aqui, haha.
Bem, no meio de toda essa reflexão, achei que naturalmente eu chegaria no tópico que queria abordar aqui sobre mais uma vez retomar (e querer retomar ainda mais) coisas do meu passado. Hoje passei parte do dia revendo vídeos da Jout Jout, por exemplo. E acho que vou fazer isso até ter visto todos os vídeos dela. Comecei um tanto de surpresa, depois de ver um vídeo que mencionava ela e dar um clique interno de "talvez ouvir o que a Julia falava naquela época faça sentido pra mim agora". E não é que fez? Depois de ver alguns dos vídeos, descobri que na época do canal a Julia tinha entre 25-29 anos e, bem, acho que agora é a minha hora de escutar tudo.
Quando ela estourou não me pegou muito, como tudo que fica famoso. Então cá estou anos depois pra revisitar e tirar meu proveito na minha fase. Algumas coisas nunca mudam.
Também pensei em comprar uma tv, pra tentar me reconectar com coisas que eu gosto ou gostava, como assistir coisas bonitinhas pra passar o tempo e me aconchegar.
Estou tentando criar uma visão de futuro próximo que me cerque de conforto dentro de casa, já que a previsão pra 2026 é que meu ano seja praticamente enclausurade, pra cuidar do Biscoito. E é isso que preciso mudar, a ideia de clausura. Preciso transformar isso no máximo de leveza possível, porque muita coisa já é e será difícil, e quero fazer o que der pra não potencializar esses momentos. Pelo contrário, tô tentando mapear o máximo de coisas felizes e gostosas que eu possa fazer na situação atual, pra me dar esperança e um norte. Preu não me deixar vencer.
Vamos ver.
Nenhum comentário:
Postar um comentário