Mostrando postagens com marcador surtos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador surtos. Mostrar todas as postagens

01/12/2024

Agora assim galera, terminei mesmo kkkkkkkk

Gente, não deu nem pra esperar virar um mês depois da "Grande Resolução" pra vir com essa. Pois é hahah.

Sinceramente, acho que foi o que tinha que ser, aquele era só o prelúdio. Na real, eu deveria ter cantado essa bola desde que ela me fez a pergunta sobre a amiga. E adivinha só, foi essa amiga mesma que recebeu a Mara de visita nesse fds e, depois delas se conectarem muito, chorarem, etc, acharam um momento bom pra ficar fisicamente intimas. Mas VEJA. elas foram conscientes, porque Mara explicou que eu tinha imposto limites, então elas foram muito fofas e gentis e "se seguraram pra não transar". Juro, só de escrever me dá vontade de cuspir. Obrigado linda por se segurar. 

Ai ai que caralho haha.

Dentre as primeiras coisas que pensei pouco depois de dar a letra pra ela foi o momento que terminei de contar a história toda pra Nathi e Nicolas ao vivo e ele me perguntando "aí vocês terminaram?" e eu "não, tamo ótime, resolvemos" e a carinha dele de "vou escutar e respeitar" KKKKKKKKK. Bichinho, já sacou na hora que não ia dar bom. É migo, lembrei de você assim que não deu certo mesmo hahahah.

Acho que como eu já passei pelo inferno na terra há 16 dias atrás (gente, DUAS SEMANAS) agora to meio que com o término pré-elaborado hahah.

De verdade, acho que tirei muito proveito do que deu, ainda que esse desenrolar tenha sido uma merda. Consegui me reconectar com meu lado sexual, que tava traumatizado e guardadinho numa caixa desde o Henry (eu só ia de relacionamento que termina de bosta em merda, ein #muda2025); me afirmei muito enquanto pessoa desejada e capaz de desejar; me esforcei e avancei pra caralho pra me comunicar melhor; e, por fim, ganhei na briga com a desconexão de sentimentos e VIVI AS COISAS, ganhando dos meus 20+ anos de trauma reprimido e, assim, nada disso teria sido possível esse ano sem esse fiasco de namoro. Tá, nem foi tuuuudo um fiasco, só esse final. Vida que segue.

[nossa eu to ouvindo uma playlist aleatória de término e tá tocando uma versão japonesa de Unholy e tá muito engraçado hahahahaha]

Bom, vou atualizar os poucos amigos pra quem comuniquei a notícia, preciso avisar minha mãe - tadinha tava toda concentrada em me acolher da melhor forma sobre esse relacionamento, que ela achou esquisitíssimo, e já vou logo voltar 2 casas e dizer que cabô. Ai ai, acontece, né?

Sei lá, de certa forma tô revisando tudo que eu pensei em fazer por ela, e pra ela, e acabei não fazendo *ainda* na minha cabeça até hoje de manhã e... me sentindo bem satisfeite por não ter feito e me sentir pior ainda haha.

Eu me programei pra proporcionar tantas coisas quando ela viesse me visitar, organizei todo um itinerário pra viajar em maio e ficar 2 semanas com ela. Sabe? Deus me abençoe, muito obg por não me dar tempo de fazer nada disso. Porque, sinceramente? Vai tomar no cu.

No fundinho, eu sei que vou me dar tempo pra viver tudo isso e depois quero, sim, retomar a amizade com ela, como eu disse que faria. E é real, gosto bastante dela como amiga, é uma pessoa que faz sentido manter e tal. Mas agora to no meu tempo de querer que ela se foda e que a Lara vá tomar no cu também. As duas que se mereçam.

E de novo, eu sabia que isso ia rolar, né. Mais uma vez ela conseguiu me surpreender com o tempo recorde com que as promessas são descartadas, mas ainda assim eu tava me preparando. E que bom, né? Chega de me desfazer por situações sem cabimento. Eu nem tinha desinstalado o bumble porque láaaa no fundo algo me dizia que iria me arrepender. Intuição é uma coisa do caralho, vou te dizer.

Tem um menino (que tenho 80% de certeza que é nb) que eu tô há um tempinho fugindo de dar sim no bumble, pois agora é que eu vou caçar esse bendito perfil e engajar. A gente já se deu match antes, mas eu não falei com ele a tempo. Bem, você que me aguarde querido. Sei que não é bom pular de uma pessoa pra outra, mas assim: situações drásticas exigem ações drásticas. E eu não vou comer o menino do nada, né. Ainda nem achei o perfil dele de novo k k. 

Não tá tudo bem, mas eu to indo. Sei o quão incrível eu sou, mereço um amor 220% maior e mais presente. Ao vivo, pertinho, que me encaixe num amor unitário, sem desvios. E é isso, minha vez de ser prioridade.

03/10/2022

Uma nostalgia do caralho e muito cansaço


Ai sabe, pior dia possível preu ter um mini meltdown, mas cá estamos.

Ao som de Paramore, na verdade agora é Hayley Willians - Why We Ever, tô tentando escolher uma imagem pra encabeçar o post, mas não tá dando não.

Nossa, eu nem tava tão mal assim gente do céu. Tenho 40 e-mails pra montar na porra da plataforma do meu trabalho pra uma demanda que o próprio CEO tá esperando pra gente colocar pra rodar na segunda, no caso hoje mesmo, daqui umas 8h quando começar a minha jornadinha CLT dos infernos. 

[sobre trampo]

Eu tô sinceramente com um desgosto muito grande de estar trabalhando nos últimos meses. Foi aumentando a passos largos, até falei com meu chefe sobre o que vinha me incomodando e, bom, naquela hora parecia que as coisas tinham ficado mais leves só que agora tudo me parece uma bela merda e me dá vontade de chorar e jogar tudo pro alto.

Tava inclusive pensando em já procurar vagas e tal, mas me lembrei que preciso urgentemente de férias, então vou esperar até o ano que vem. Preciso me formar, preciso tirar férias, preciso. 

Inclusive, no tema vagas, as que meu amigo e ex-chefe tinha me indicado acabaram se mostrando com escopo completamente diferentes do que eu faço então não rolou. Apesar da negativa, foi um processo bem legal, porque me senti minhas capacidades bastante reafirmadas, tanto passando pra fase de conversar com o diretor lá da área quanto com ele mesmo meio bolado explicando que eu "de fato, tinha muita experiência com planejamento, mas eles precisavam de alguém técnico" e assim, realmente amigo boa sorte porque eu não sou essa pessoa e tá tudo bem. Claro que adoraria conseguir uma vaga e passar a ganhar mais pra trabalhar melhor e num ambiente menos abusivo quanto minha atual empresa se tornou, mas né, sobrevivemos.

[tcc]

Entrego meu TCC daqui literalmente 1 mês e, bem, ainda falta coisa pra caralho. Ainda assim, consigo ver uma luz no fim do túnel e saber que ela é só a saída e não um trem. O projeto agora tá bem bonito e finalmente entramos num ritmo que dá pra finalizar as coisas. Vai dar certo, vamos dar um jeito.

[relacionamento, na real a negação de um possivelmente meia boca]

No fim, minhas aventuras no Bumble acabaram empacando no Greg mesmo, porque não tenho coragem e nem energia pra tentar conhecer gente nova agora. Não consigo nem manter uma conversa qualquer atualizada, imagine ter que fazer todo aquele papo interessado pra ver se vale a pena marcar alguma coisa e mais ainda, aparecer no encontro e tudo o mais. Sem condições, cansado demais.

Que loucura, no post passado, no meio de agosto eu ainda tava 100% na vibe amizade platônica com o Greg, mas desde então a gente se viu mais 1 ou 2 vezes e fui me acostumando à ideia de ter alguma coisa com ele e daí, domingo passado a gente se ligou (coisa que não faço com absolutamente ninguém além do povo do TCC por obrigação k k) e ele abriu seu coraçãozinho me explicando que: mesmo eu sendo essa pessoa interessante pra caralho, ele não conseguia se apaixonar por mim o tanto quanto sentia ser necessário e tava num dilema interno. Isso porque Greg, a meu ver, é um monogâmico que acha que é anarquista relacional (um tipo mais legal de não monogâmico ahah, mas na verdade é só uma pessoa num quadro neurótico que não consegue se desapegar de uma relação que já não funciona e ninguém tem coragem de terminar. 

E assim, coitado dele e tal, uma merda ter que viver nessa dor de não conseguir finalizar algo que foi super importante e ao mesmo tempo não conseguir se entregar pra alguma outra coisa potencialmente boa. Nessa ligação ele me perguntou o que eu esperava da nossa relação e fui até que bem jogo aberto, falei que não esperava nada específico, mas que tinha abertura pra que a gente pudesse ter, sim, alguma coisa romântica. Eis que no momento eu fiz o conhecido comportamento padrão auto-anulante de dizer "estar ok caso ele quisesse ir ficando comigo e aí ver no que ia dar, se ia querer fortalecer algo comigo ou dar pra trás", mas graças a deus, depois de finalizar a conversa me deu 5 minutos e percebi como eu tava prestes a repetir o mesmo erro dos últimos relacionamentos que tive (e foram péssimos) e mandei um áudio de 5min explicando sobre como NÃO estava disposto a começar nada com alguém que não estivesse ali pra transbordar tanto quanto eu no que quer que fossemos criar. 

Ele ficou meio bolado de início, passei um leve nervoso durante os primeiros dias da semana, mas depois Greg retomou comportamento normal, fiquei meio puto na hora, mas depois passou e, sei lá. As voltas que o mundo dá, né? Desde o início não quis nada com ele, daí fiz um esforço consciente pra pensar em uma perspectiva romântica, só pra depois de conseguir isso ter que enterrar de novo em nome dos meus limites e autopreservação e respeito. Que coisa. 

Mas na real fiquei feliz comigo por ter me fortalecido a ponto de conseguir me colocar de forma firme pra ele. Queria muito ter contato isso pro Sérgio, só que na última sessão eram tantas coisas pra falar que no final só cheguei a começar a história com o Greg (mini história, uns capítulos no máximo) e aí o Sérgio só falou umas coisas meio "será que não vale a pena pensar nisso?" e não deu tempo de falar NÃO SÉRGIO, É PRA GENTE COMEMORAR O MEU NÃO, CALA A BOCAAAAA. Mas na próxima eu falo, tá tudo bem.

[cabô sobre relacionamentos]

Fazia muito tempo que eu não ouvia Bring Me The Horizon, perfeito pro meu momento. Até parei pra colocar os álbuns inteiros na fila de reprodução e não fazia ideia de que eles tinham lançado coisa pra caralho desde 2015 e, caralho, que mal gosto pra arte de capa, ein? Enfim, tá dentro do meu momento de nostalgia, agora tô lembrando do show que fui com a Yas, em 2016 eu acho. Saudades.

Enfim, tem muito mais coisa que eu quero falar, como sempre, mas já tô me sentindo bem melhor agora.

Quando comecei a escrever tava a beira de um colapso mesmo. Agora que voltei a escrever sobre isso as emoções tão voltando, mas vou dar uma segurada, já que preciso fazer a porcaria do negócio pro meu trabalho antes que eu tenha que virar a madrugada inteirinha só nessa bosta. E vamos de colocar uma fita isolante pra tapar o buraco da represa, menines. ✨

E no final nem falei das eleições, que também foi uma coisa que me fez sair bastante do prumo agora fim do dia. Mas também, que pessoa decente que não ficou abalada, não é mesmo? Uma dor compartilhada dói menos.

[sobre nostalgia]

Ah, pra falar de coisas boas, assisti Luca finalmenteeeeeeeeee! E é lindo, meu deus, é muito lindo e amei amei amei. 
Ano passado eu seguia uma pessoa que era completamente doida por Luca e pelo ship dos dois meninos e, pra mim acabava sendo engraçado, porque minha percepção do filme era muito mais a partir da lente dessa pessoa do que do filme em si, que eu tinha 0 chances de ver por não ter Disney+ e muito menos a energia de ir atrás de um torrent pra baixar. Bom, eis que finalmente assisti e entendo porque tanto alarde, é um abraço quentinho aquele filme mesmo, muito fofo. 

Também assisti Red antes e fiz isso numa festa do pijama que fui ontem pra rever o pessoal com quem fiz técnico no ensino médio. Acho que isso foi mais uma gotinha pra fazer transbordar meu copinho da nostalgia e demanda por tempos mais brandos e carinhosos comigo mesmo. 
Algo similar aconteceu quando encontrei com Len e Gigi, que até mencionei aqui no último post. Quando reencontrei os dois até tivemos um momento de revisitar o baú de memórias e ficar vendo os blogs e tal, cheguei até a minha primeira postagem no AEG, foi bem emocionante, me deu comichão de retomar o blog, agora sob uma perspectiva ecossocialista e pautada nos meus interesses atuais (que ao mesmo tempo mudaram tudo e nada)... Daí a realidade veio e deu uma bicuda na minha cara e desisti dessa ideia, pelo menos até terminar esse ano.

Ah, quando o Greg veio aqui em casa também mostrei pra ele Viagem na Chuva, acho que isso deve ter sido também uma outra gotinha no copo da nostalgia. Acho que fui inconscientemente gravitando pra essas situações que me remetem ao passado e à animação e tudo o mais. 

Se for parar pra pensar, quando eu tava me afundando na pandemia o que me fez flutuar foram essas coisinhas também. Assistir animes, ler meus mangás, jogar otome games, foi uma retomada bem grande dos meus hobbies de 15 anos, lembro de comentar com o Sérgio na época e ele achou ótimo, até me incentivando pra valorizar essas coisas e procurar o que mais eu gostava e fortalecer isso. 

No presente, ainda mantenho os mangás como uma corda salva vidas. Sempre que sinto que tá tudo uma droga começo a ler um BLzinho pra acalmar meu coração, mas acaba sendo um pouco de cuidado misturado com mimo, pois passo do ponto e gasto tempo importante pra fazer tarefas práticas me isolando do mundo com eles. Tá difícil conseguir chegar num equilibro ultimamente. Pra várias coisas... Ia falar que "sinto que tô a ponto de explodir", mas me lembrei que já estou explodindo haha.

Na sexta meu chefe pediu pra falar comigo, porque eu tava passando do ponto, estourando muito nas nossas conversas com o time e, bem devo estar mesmo. Eu não percebo, mas as pessoas se surpreendem com certas reações minhas e é aí que me percebo chegando na fase em que comecei a tomar remédios láaa em 2017. Sinceramente eu adoraria que o Sérgio voltasse a me receitar sertralina, só como um paliativo, em momentos de crise e tal, mas ele não afrouxa sua convicção de que "consigo passar por isso". 

Caralho cara, é óbvio que conseguir eu consigo, mas queria conseguir sem me desgastar tanto no processo, sabe? Não me superestime, só quero fazer as coisas da forma mais pacata possível, por favor.

Ai ai já são 2h da manhã e eu só queria dormir. Mas não, ainda tenho a merda dos 40 e-mails. 

Vou fazer isso logo, porque tô sentindo que mesmo fazendo isso na porra do meu tempo livre ainda vão querer que eu comece no horário de sempre pra ativar essa bosta.

É isso.

03/12/2020

Em breve espero voltar a existir. Por hora, sou só uma engrenagem mesmo

 


Passando rapidinho pra comunicar que EU NÃO AGUENTO MAIS ™.

A lista de coisas é enorme, mas em especial não aguento mais não conseguir falar com as pessoas que eu amo, afrouxar as conexões que me importam, trabalhar feito uma mula, permanecer em zonas de conforto extremamente desconfortáveis pela facilidade em conhecer o martírio atual e CARA, não aguento mais só olhar pra frente esperando o dia em que as coisas vão melhorar.

Mas tá acabando esse ano bizarro. E pretendo dar uma guinada nas coisas. Pelo menos tentar sair desse ritmo ridículo de performance que tem acabado comigo em todos os sentidos.

É isto.

P.S.: Nath, eu tenho tanta saudade de você, puta merda. 

Fiquei muito triste de ter perdido seu aniversário, não consegui sequer mandar uma mensagem. Ai, é uma vergonha, pelo amor de deus. 

Mas enfim, só queria comunicar que te amo muito e espero que você esteja bem, florescendo, sobrevivendo e seguindo nessa existência incrível ❤

09/10/2018

Notícias quentes diretamente do fogo do inferno


DIN DIN DIN DING

Mais pessoas pro hall de malditas criaturas nefastas que conheci no Canadá.

Há algumas horas fiquei sabendo que meu agora detestado ex-namorado Henry está namorando minha ex-melhor amiga filipina Jeremy. Pois bem, espero que os dois queimem juntos.

Só de pensar me dá vontade de vomitar, nunca fui traída tantas vezes quanto durante (e vejam só senhoras e senhores) até depois de ter ficado meu período lá.

Bem, o que dizer de pessoas que eu julguei serem confiáveis e dignas de afeto e na verdade se mostraram egoístas e de um grau altíssimo de filha da putagem? Sim, que queimem mesmo.

O pior é que hoje mesmo isso me passou pela cabeça, mas como tenho fé nas pessoas sequer cogitei por muito tempo, afinal "Jeremy sabe que eu jamais a perdoaria e tem noção do quão baixo seria fazer isso". Como de costume as pessoas seguem a me surpreender com sua capacidade de fazer o mal.

Que seja. Que ela vire a bonequinha inflável dele. Eu não presto mais esses serviços.

De certa forma, tenho a agradecer ao X (não será mais mencionado pelo nome, foda-se) por me ensinar bastante sobre sexo. Antes dele nunca havia passado das preliminares e, hoje, acredito ser muito mais preparada até pra falar não pra gente desgraçada como os de sua laia.

Agora, ao som de Você ainda Pensa de Johnny Hooker, que sinceramente é o que eu quero gritar pro mundo nesse instante meus pensamentos todos estão enfurecidos e enlouquecidos em busca de vingança e triunfo.

"clamei aos deuses pra lhe arrebatarem com a minha dor"

"você ainda pensa em mim quando você fode com ele? você ainda pensa em mim? eu sei que sim"

Frases acima literalmente retiradas de minha massa cinzenta e presentes também na canção de Johnny.

Sabe, vou fazer uma playlist de músicas vibe "vá se foder" pra me manter sã nesses próximos dias.

Minha vida já tava voltando a merda, mas agora nem mesmo em fase de adubo eu quero ficar, faço questão de pular direto pra virar uma planta venenosa ao toque.

Sinceramente desde antes de eu viajar sabia que minha música do momento era Postcard do Troye.
Sempre soube que não era pra ser, mas né, é foda.

"I remember that night when you first called me crazy
Only you picked it up
Kissed me and said "I love you, baby"
You didn't give a fuck"

 - literalmente eu e X na nossa primeira vez juntos, coincidentemente a MINHA  primeira vez, sequer nos conhecíamos, mal tínhamos conversado, eu estava triste, vulnerável, era a primeira vez que eu bebia mais de duas latas de cidra. Foi esse o meu começo, foi mais uma obrigação de ficar junto depois do que houve.
Não era pra ser nunca.

Tenho consciência disso agora.

Eu quero tanto gritar, socar e dar chilique. Só que não dá, não tem porque e nem em quem soltar tudo isso. Agora sou eu pra arrumar tudo. Me recolher e me colocar de novo no alto.

Minha mãe e minha tia foram ótimas. Assim que descobri só consegui chorar e ir até a minha mãe. Ela está certa. Isso tudo foi um livramento. O corte final do cordão umbilical da apatia e inércia do contato com pessoas tóxicas que mesmo a milhares de quilômetros de distância ainda tinham poder sobre mim. Não tem mais.

Agora sou eu pra arrumar tudo.

"Há sempre um lado que pesa e um outro lado que flutua. Tua pele é crua.
Há sempre um lado que pesa e um outro lado que flutua. Tua pele é crua.
Dificilmente se arranca lembrança, lembrança, lembrança, lembrança...
Por isso da primeira vez dói, por isso não se esqueça: dói.
E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia, fodia." 

Crua - Otto.



23/05/2018

hoje é aniversário da minha mãe





Hoje é aniversário da minha mãe. Pelo menos aqui, quatro horas atrás do Brasil.
Hoje eu voltei pra casa mais cedo pra ficar deitada na cama por horas só pra não ter que lidar com minha falta de conexão com minha classe.
Hoje mais uma vez todos saíram e me deixaram pra trás.
Hoje mais uma vez o Kal, que costumava ser um dos meus melhores amigos ignorou minha existência por completo enquanto ia pra lá e pra cá com a Jackie.
Ó, minha experiência aqui tá 10/10.
Meu aniversário passou, não fiz alarde, não fiz nada. Dormi 18 horas.
Quase todo dia eu volto pra casa pura e somente pra não encarar o quão alien me tornei.
É foda.

Eu e Henry estamos bem. Isto é, tão bem quanto se é possível. Ando pisando em ovos com ele, mas pelo menos as brigas diminuíram.
Dois comprimidos não estão dando conta de nada. Vou começar a tomar três pra ver se pelo menos a química no meu cérebro se ajusta.
Queria poder terminar logo meu curta e ir pra casa. Não quero ficar aqui. Não quero acordar dia após dia num lugar que não me recebe. Num lugar em que nem mesmo eu me recebo.
Mais três meses e eu vou embora. Sei que passa rápido, mas ainda me angustia.
Sei que daqui alguns anos olharei pra essa viagem enumerando a enormidade de vezes em que perdi oportunidades, mas é o que ta dando pra fazer.
Estou na fase “se tudo o que você fez hoje foi respirar, estou orgulhoso de você”.
Tô tão cansada. E é triste porque eu não posso mais me enganar dizendo ser algo físico, quando durmo quase as 24h do dia.

Enfim, sobrevivendo.


13/02/2018

Jackie me tirando do sério, basicamente


Olha eu aqui. 
Depois de meses e meses, nao achei que fosse voltar a escrever aqui pra desabafar sobre coisas que tem me entristecido.

Que merda, sinceramente foi tanta coisa nesses poucos meses que chega ate a me deixar zonza pensando por onde dar inicio ao meu monologo.


Bem, vamos de tras pra frente.

Eu moro com a Jackie, o que no inicio me fez um bem imenso e me deixou super feliz e realizada tralala, mas agora ta mais pra inferno com esporadicos dias ensolarados.
Cada dia uma coisa nova surge e se torna motivo pra discussao. Odeio briga. Primeiro porque nao sei brigar, nunca briguei na minha vida. 

Depois de quinze anos me enquadrando a expectativas e guardando toda e qualquer opiniao que possa causar impacto negativo em alguem, sei que se eu chegar a um ponto de realmente explodir vai ser um estrago tao grande, nao da pra sequer considerar isso.
Ainda mais numa terra que nao e a minha, longe dos meus amigos e familia, zero protecao e ainda tendo que conviver diariamente com todo o estresse e desgaste da escola. Nao da.

No fim de 2017, quando tava todo mundo praticamente morrendo, minha classe pelo Termo 2, que e conhecido como o mais sofrido de todo o curso e a classe de seniors pela finalizacao dos curtas metragens etc etc; eis que tres das meninas da classe acima da nossa pedem pra passar uns dias no nosso apartamento. 

Admito a falta de bom senso na hora, mas convenhamos, eu tava morrendo; e alem disso super me identifico com a dificuldade que e viver aqui e ter que arcar com despesas ridiculamente altas. Capitalismo e uma merda. Entao eu e Jackie aceitamos e eis que elas passaram as ultimas duas semanas la em casa.

Pra mim foi otimo. Duas pessoas super gracinha, conversas gostosas e leves, nada de drama, sempre se preocupando comigo e sendo gentis e companheiras. 
Jackie nao passou uma noite em casa durante esse periodo.
Alem disso ela queria que eu cobrasse as meninas pra pagar uma parte do nosso aluguel. Eu entendo o ponto de vista dela, mas em nenhum momento ela esteve em casa pra conversar com elas junto comigo e sequer participou das nossas conversas sobre como e complicado viver em paises diferentes com moedas desvalorizadas, familias de classe economica mediana e tudo o mais.

Ela nao sabe o que e isso. Esse e um dos principais motivos pelos quais tenho me frustrado com ela. Nossa criacao e tao diferente, e um abismo. Nao e sobre ter dinheiro, mas tambem sobre saber lidar com responsabilidade, afetiva e pratica. Ela nao sabe encarar o que a incomoda e a unica ocasiao em que o faz e quando tem certeza de que pode atacar o alvo mais fraco e se colocar como vitima da situacao e carrasco do outro ao mesmo tempo. E insano, sinceramente.

E me estressa. Porque eu nao brigo, eu converso e resolvo. Nesses meses em que moramos juntas tivemos tantos argumentos via telefone sem fio atraves de amigos que falavam o que cada uma pensava devido a incapacidade dela em sentar e discutir olhando nos olhos... E rir pra nao chorar, basicamente.

Foram tantas pequenas coisas, desleixo com relacao a casa, vitismo, criancices e reacoes tipicas de crianca mimada; foi um periodo conturbado, mas vamos ver se agora eu aprendo a parar de me apaixonar pela ideia que tenho das pessoas.

Nao que eu nao a ame mais. A amo muito, e sei que e reciproco, mas agora e um amor maduro, consciente e que me colocar como prioridade. Nao me deixo mais em segundo plano pra sair recolhendo e recolando os pedacos dela. 

Mal tenho forcas pra cuidar de mim, tenha do.

Nossa, dando uma passada rapida pelos ultimos posts que escrevi me deu uma certa vergonha dos dramas que passei aqui.

Alem do furacao Jackie tive uma reviravolta em termos de relacionamento que jamais esperaria em solo canadense.
Claro que antes de vir tinha idealizado um namorinho fofo bem estilo Gilmore Girls, mas claro que a vida adora fazer a gente se foder, entao ne, tudo nos conformes. Pra vida, nao pra mim haha.

No inicio me despedacei pelo Diego, Nath ja sabe disso. Foi pessimo, nao posso dizer que estou 100% ainda, mas bem perto pelo menos.
Ainda me pego olhando pra ele em certos 


[[[[[[[[[[Tudo isso foi escrito há mais ou menos um mês atrás, num momento de estresse, rancor e um pouco de birra, com toda a razão do mundo]]]]]]]] 

Mas agora passou e eu tenho coisas diferentes pra dizer, essas impressões já foram, então vamos que vamos num próximo post.



06/07/2017

[ ]


É engraçado, porque sinto que meu corpo fala exatamente essa frase. O que em si já é um conjunto considerável de palavras para descrever isso tudo.

Tudo o que, aliás? Também busco uma resposta.
Não tenho conseguido dormir a noite. A manhã passa e quando finalmente consigo sonhos consistentes (tanto quanto é possível para um sonho) já é um novo dia em que escolho pra qual lado da corda bamba me jogar. Levantar, tentar ficar vivo e fazer valer a pena. Ou dormir e ter uma pseudo-vida muito mais satisfatória. Tenho escolhido em iguais proporções as duas formas de levar as semanas por enquanto.
Não é muito bom, mas não é o fim do mundo.

Me entristece esse marasmo interno. Antes eu pelo menos tinha uma infinidade de constelações implodindo, agora é só o vazio mesmo. Melhor dizendo, esvaziamento. Talvez seja um processo natural de reciclagem.
Talvez eu esteja me desmanchando pra valer, depois quem sabe pego gotas do que sobrar e tento construir algo novo. Algo de que possa me orgulhar. Algo que vá em frente. 

Eu só quero ser a melhor versão de mim mesmo. Acredito ser uma enorme injustiça esperar de si o comportamento de nosso alter ego ideal. Apesar disso sou praticante assídua dessa injustiça e tantas outras.

Encontrei algumas amigas nos últimos dias. É um tanto penoso, confesso, ter que lidar com pessoas em fases diferentes. Mais do que nunca me sinto sem ar. Não sou como meus amigos, não tenho uma vida simples de faculdade/trabalho/social, não sou como meus colegas de trabalho, sequer sei se sou alguém no momento.

Sou Camila, uma pessoa doce, muito dependente do afeto alheio e extremamente habilidosa em camuflagem social.
Adoro poesia, minha poetisa preferida é Florbela Espanca. Sinto que temos uma conexão, pois sangro seus poemas como se fossem feitos dos meus tecidos internos. 
Amo crianças, animais, me apego facilmente a qualquer ser vivo minimamente responsivo e sou expert em sentir falta.
Me iludo dizendo que não gosto de histórias tristes, quando na verdade me apoio nelas e seus possíveis finais felizes e idealizados pra sentir que tenho chances. 
Gosto de mim por fora, gosto do que conheço de mim por dentro. Só que ainda falta mais. Ser mais, saber mais, me amar mais. Não sei bem.
Escrevo afim de colocar pra fora coisas que soam muito bem em meus roteiros mentais, mas nunca sairão da minha boca.
Leio porque preciso me agarrar a vidas que dão certo rápido. Começo; Meio e Fim. É como uma droga metafórica da vida, o alcançar do sucesso sem ter de fato vivido o necessário pra isso.
Amo com muita intensidade e medo. Medo de perder.
Sei que sou muito de bom, conheço minhas partes estragadas, só não encontrei o meio termo. Não encontrei o orgulho necessário pra me levar cem por cento a sério.
Passo tempo demais me mimando ao invés de me cuidar. Carrego toneladas de autopiedade entorpecente e tóxica comigo como quem leva aspirina na bolsa.
Finjo ser bem resolvido e engano até a mim mesmo com uma atuação impecável de quem adora a vida que leva. 
O que adoro são as ideias. Perfeitas, imaculadas, planejadas e utópicas, características estas que as tornam meu tipo preferido de passatempo.
Vivo demais na minha cabeça e de menos expirando gás carbônico para um fim maior do que a mera sobrevivência.

22/02/2017

E de pensar nisso tudo eu, homem feito, tive medo e não consegui dormir


Eu tô com um buraco tão grande no peito, mas não faço ideia de como ele surgiu.
Estou cansada, limpei a casa e fiz compras hoje. Foi produtivo, fui ao médico ter certeza de que não sofro de nenhuma doença terminal, bem reconfortante.
Hoje foi uma consulta interessante com a Lu. Falamos sobre minha dificuldade em criar vínculos. Ela disse que essa é a semelhança que tenho com meu pai. Nunca tinha me tocado disso.
De fato, nunca consegui me abrir totalmente pra ninguém, o que sempre me incomodou, pois não me sentia compreendida... Sempre com medo de ser julgada, com medo do outro não aguentar minhas barras... Sempre tão só.
Hoje em dia melhorei um pouco, coisas que eu jamais sonharia em dividir consigo falar com a Nath e as vezes colocar aqui, mas ainda assim falta tanta coisa...
Não sei por onde começar, me enche de angústia pensar em me despir de todas as barreiras e muralhas emocionais.
É engraçado porque é como se eu fingisse estar sempre bem com elas, mas dificilmente é o caso. São tantas fragilidades que me escapa belas beiras, acho.
Sei lá, sabe.

Quero poder me desmanchar pra alguém, chorar num colo e soluçar até me sentir vazio...
Quero me entregar pela primeira vez na vida.
O Rodrigo sempre reclamou que eu não dividia meus problemas com ele, era um motivo de bastante briga. Me irritava ele exigir isso de mim, nem meus amigos questionavam isso. Ele estava certo. Como pode alguém namorar quase um ano e não ser capaz de contar nem uma dorzinha?

Criar vínculos profundos é tão difícil. Acho que tenho muito muito medo das pessoas. Do poder que podem ter sobre mim. Já é tão grande o impacto com minhas relações superficiais, me despir parece tão arriscado.
Tenho tanto medo... Tanto tanto tanto. De tudo, de todos, da solidão, do nada. Me sinto pequenininha e impotente, mas não consigo deixar transparecer.
Preciso de um abraço que me passe segurança.
Preciso cavar bem fundo e destrinchar todos os meus monstros.

Sou tão pequenininha por dentro. Quem dera eu pudesse me pegar nos braços e acalentar até todo esse medo passar.

Eu queria que ele estivesse vivo. Meu pai não sabia ser um bom ser social. Nem bom marido, nem filho, nem cidadão, nossos genes são iguais. Ele sempre teve muito medo também... Medo de não ser perdoado, medo de adoecer, medo de pensarem mal dele.
A vida se repete em diferentes gerações. Eu só quero parar de ter medo.
Sei que é repetitivo, mas essa frase me vem a cabeça todo o tempo.
É tudo tão enorme.

01/02/2017

Retificando


Minha mãe acabou de vir do quarto (estava tentando dormir) e me disse um monte de coisas. Acho que este foi um dos piores momentos da minha vida. Escutar pela primeira vez que eu era uma causa pro sofrimento e esgotamento dela foi duro, mas não tanto quanto ter consciência de que é verdade. Ouvir que passei a não dar ouvidos e desprezar o que ela diz, também foi um golpe forte, mas absolutamente necessário. Tudo foi necessário, mas me pegou de surpresa, porque vivo tempo demais no mundo das ideias e agora esta é a prova concreta. 
Eu que enalteço minha mãe para qualquer um e passo a vida desejando tudo de mais lindo pra ela, me espelhando em seus muitos pontos positivos. Eu a estava destruindo. Por dentro e por fora. Quando foi que comecei a fazer isso? 
Não consigo acreditar que paralelamente ao meu amor incondicional e veneração houve também um comportamento miserável e injusto com ela. Preciso frear isso. 
Fiquei tanto tempo invejando os adolescentes inconsequentes que deixei de notar que havia me tornado um deles, e não obstante o pior do tipo: aquele que nem sequer tem consciência da reação de seus atos.

Eu me sinto o pior tipo de lixo. Tóxico, que contamina e mata tudo a sua volta. Meu Deus, eu estive por quanto tempo matando a vitalidade da minha mãe? Quantas pessoas mais eu contaminei? 
É tudo tão horrível.

12/12/2016

Surto pré-confronto


[ Esse post foi escrito na madrugada de sábado pra domingo, enquanto eu tinha uma crise horrorosa de choro. De quinta a Domingo tive dias muito muito ruins, nos quais passei a maior parte do tempo chorando e abafando soluços. Depois acabei falando com a minha mãe sobre toda a questão do meu desconforto sobre gênero etc e, até agora tô tentando entender qual é a da minha vida no momento.
Ok, feitas as considerações, aqui o que foi escrito anteriormente, mesmo relendo ainda parece tudo presente em mim, é tudo muito muito complicado. ]

Eu tô mal. O Cuca tá meio mal também e eu não tenho forças o suficiente pra cuidar dele direito e isso também me mata. Não tenho forças pra fazer quase nada, sinceramente falando. E eu sei que é tudo super white people problems, e isso é irritante, mas não tem como evitar uma crise dizendo a si mesmo o quão não relevante são os seus sofrimentos então, é.
Sei que já fiquei bem mal assim antes e tal, só que toda vez que acontece é péssimo. Não sei direito o que pretendo fazer escrevendo isso. Não tem muito o que dizer, na verdade. Eu só quero férias de tudo mesmo. Férias de pensar em como viver com o fato de que eu não pareço com o que eu deveria e não saber como explicar pra minha mãe tudo isso de gênero e porque isso acaba tanto comigo e chorar sempre que eu penso nisso e.... Nossa tudo é tão horrível, por mais que nem seja.
Eu só quero chorar e ler livros fofos, assistir animes e ouvir kpop por dias a fio e ter a minha mãe comigo e não sentir que tem um peso gigante entre mim e ela.
Nem sei como explicar pra ela nada disso. Eu mesma não entendo direito. De uma hora pra outra eu só tive essa vontade louca e angustiante de parecer um cara e não teve nenhum gatilho nem nada, nenhuma indicação ao longo da minha vida de que alguma propensão a disforia aconteceria. Ano passado eu tava tão feliz usando saias pela primeira vez em tantos anos... E eu tava tão feliz com um monte de vestidos e colares e agora olhar pra tudo aquilo me desespera, porque não sei se vou usar nada daquilo porque só de pensar que eu tenho volume no tórax quando coloco uma camiseta me deixa desconfortável e eu só queria que as pessoas me vissem e pensassem que eu sou um cara. Mas não tem por que tudo isso acontecer.
Não é dizer que muita pesquisa faz isso com as pessoas, porque é absurdamente ridículo e eu duvido muito que gente interessada em saber mais sobre trans e não-binariedade do nada comece a se questionar.
Não sei se eu deveria simplesmente fingir que nada disso é real e tão pungente quanto parece ser e tentar passar por cima de todas essas coisas e tentar retomar a pessoa do ano passado. Não sei se daqui alguns anos vou olhar pra trás e rir contando pros meus amigos que "nossa, quando eu era mais nova tive uma fase meio maluca em que eu queria muito ser um cara e tal, quem diria né? Olhando pra trás agora nem parece que aconteceu" enquanto fico super confortável sendo uma mulher feliz e descomplicada. Nada disso faz sentido e não sei se também é uma fase, porque nunca ouvi falar de gente que do nada acorda querendo aparentar ser de outro gênero e depois de um tempo volta a se identificar com o seu próprio. As pessoas não passam por isso temporariamente, certo?
Sei lá, eu não entendo direito o que tá acontecendo, sequer pra nomear o que está acontecendo e isso me enlouquece. Não dá pra falar disso com ninguém direito, quer dizer, eu sei que você tá aí pra mim Nath e sinceramente sem você não sei o que poderia ter acontecido, porque isso tudo é infinitamente mais do que sou capaz de aguentar sozinha então obrigada.
Mas sabe, eu não sei como lidar com nada agora e meu movimento é o de fugir de tudo com o qual não sei lidar e isso é péssimo porque sinto que estou retrocedendo anos quando eu preciso é seguir firme e forte, já que muita coisa me espera ano que vem e tal, mas não dá pra fazer isso. Simplesmente não dá.
Eu não faço ideia do que tá acontecendo e isso me apavora. Tudo me apavora. Viver isso me apavora, ficar parada e perder dias da minha vida me apavora, não sei o que fazer.
Eu não sei fazer isso. Não sei me virar sozinha. Não sei lidar com as coisas sem falar com a minha mãe, não sei viver direito com um segredo assim. Bissexualidade é tranquilo de guardar pra si, mas isso é pesado demais pra mim. Eu tô muito apavorada.

22/11/2016

Gente que me estressa


Nossaaaaa, tô muito puto agora. Acabei de ler uma sinopse de um livro de feminismo radical em que a mulher fala um monde de porcaria sobre transgêneros e MINHA NOSSA, estou absurdamente puto com isso.
Vou até fazer um ctrl C ctrl V pra poder falar mais disso porque, senhor, quanto absurdo.

"It is only recently that transgenderism has been accepted as a disorder for 
which treatment is available. In the 1990s, a political movement of transgender 
activism coalesced to campaign for transgender rights. Considerable social, 
political and legal changes are occurring in response and there is increasing 
acceptance by governments and many other organisations and actors of the 
legitimacy of these rights. 
This provocative and controversial book explores the consequences 
of these changes and offers a (radical) feminist perspective on the ideology and 
practice of transgenderism, which the author sees as harmful. It explores the 
effects of transgenderism on the lesbian and gay community, the partners 
of people who transgender, children who are identified as transgender and 
the people who transgender themselves, and argues that these are negative. 
In doing so the book contends that the phennomenon is based upon sex 
stereotyping, referred to as ‘gender’ – a conservative ideology that forms the 
foundation for women’s subordination. Gender Hurts argues for the abolition 
of ‘gender’, which would remove the rationale for transgenderism. 
This book will be of interest to scholars and students of political science, 
(radical) feminism and feminist theory and gender studies."

Caralho né? Caralho.
Meu, não é destruindo a noção de gênero que você vai fazer a desigualdade entre criaturas cujas genitálias são diferentes desaparecer! Meu deus, é um esquema de opressão tão maior do que isso! E sim, de fato, espectros de gênero também se baseiam em símbolos genéricos de esteriótipos femininos ou masculinos, mas isso de forma alguma invalida as especificidades de cada pessoa e o seu modo de ser. "Sex stereotyping", faça-me o favor!! Se fosse pra ser assim a gente simplesmente se vestiria de acordo com o que se diz dentro dos  padrões de cada gênero (isso numa noção já distorcida e vendável criada pela sociedade ocidental atual) e pronto, estaríamos todos felizes e contentes.
Só que nós pessoas trans sabemos que isso é muito mais profundo do que uma questão rasa como essa. Não diz respeito a esteriótipos e sim identidade, modo de se ver  e querer ser visto como ser vivo.
Acabar com a noção de gênero é jogar no lixo não só a base de personalidade de trans, mas também de todos os demais. Não é como se isso tivesse sido instituído apenas para oprimir, é um conjunto de coisas que existem. Lógico que muitos mecanismos de opressão foram criados e fundaram seus alicerces nisso, sim isso é verdade, mas nem por isso apagar essa verdade fará de nós uma espécie livre de problemas.
O ponto está em destruir as formas nocivas de encaixotar as pessoas dentro do que se diz que é "feminino" ou "masculino" e permitir que as interpretações sejam livres e que o modo como as pessoas são lidas pela sociedade se adeque à auto-interpretação, mais do que a rotulação por terceiros. Gênero é uma noção de si mesma, que se compreende, adequa e se aceita conforme a necessidade do indivíduo em questão.
Além disso o foco real do problema não é em que se baseia um sistema de submissão e sim como ele é  incutido na mente das pessoas. Se não for por gênero, é por etnia, se não por atributos físicos e por aí vai... As pessoas sempre encontram uma diferença e se apoiam nela pra conseguir se colocar num patamar superior, isso não vai mudar se deixarmos de nos identificar com uma ou outra coisa.
Ninguém chega pra gente e pergunta "ei, você não acha que ser menina é meio chato? Já pensou em ser um garoto?" A gente sente uma necessidade de se perceber. Sabe, é muito mais do que ter os atributos esteriotipizados de "homem" e "mulher", é se sentir diferente e compreender o que se quer ser e isso pode implicar ou não em mudanças físicas, vestimentas específicas ou qualquer outra atitude que demande mudanças.
Nossa, é tão difícil assim entender uma coisa dessas? Porque uns tem que procurar invalidar uma minoria pra conseguir provar o seu suposto ponto? Que coisa deprimente.

Olha, dá vontade de bater em quem compra uma coisa dessas, sinceramente falando. Lutamos tanto só pra aceitem que a gente existe e que nossa personalidade não é fruto de uma doença, é tão pouco e básico o que queremos e ainda tem gente que faz questão de colocar a gente como uma aberração ambulante. Nossa, que ódio.

Nossa... que dia cheio. Estava procurando um livro que se alinhasse mais as minhas ideias, mas por enquanto tô meio longe disso... A parte positiva é que me levou a muita reflexão sobre tudo isso.

Sabe, é algo que me intriga até agora porque só aos dezoito anos percebi como ser lido socialmente e ter características masculinas me faria imensamente realizado... Não mudou nem 1% da minha personalidade, continuo a mesma criatura feliz, viada e chatinha de sempre, mas de onde veio essa vontade? De onde veio a motivação pra querer fazer tantas mudanças externas?
Bem, não foi nada que alguém tenha me dito ou recomendado, certamente. Na verdade eu sabia muito pouco sobre não-binariedade e até bem pouco sobre a binariedade em si. Foi meio do nada, conforme fui vendo como as pessoas encontravam modos de serem elas mesmas sem se atentar e adequar as caixinhas impostas ao nascimento como símbolos femininos ou masculinos, acabei percebendo como isso seria algo que me contemplaria também. Acho que esse é um ponto: pra mim não foi desde o nascimento, o que implica em noções mais amplas do que "é intrínseco".
Mas o ponto é: isso é tudo construído? Mais ou menos, camiseta não é algo exclusivamente masculino e não tem problema nenhum uma garota cis se vestir na seção "masculina". A parte construída são os nomes e categorizações das coisas, mas isso é confortável até certo ponto. Até mesmo o modo de lidar com os acontecimentos é padronizado, sim admito e acho errado. Tem toda a carga de babaquice de "boys don't cry" e "women are fragile" etc etc, mas não é sobre isso  que se trata, muito pelo contrário. Me considero uma pessoa bem chorosa, frágil e nem por isso menos "cara". Então, este não é um argumento válido sobre a construção de gênero, isso não é algo pelo qual a comunidade trans luta, ela quer se livrar disso também!
Outra coisa que é inegável é a (não sei se é pra todas as pessoas trans, tô pesquisando) necessidade de aderir a símbolos de gênero de acordo com a sua própria identificação. Não temos porque nos prender somente a uma ou outra caixinha, o que nos permite transpassar esses limites, mas ainda assim gostamos do que tem nas caixas então usamos a nosso favor. Ok, tem gente que curte tudo de uma caixa só e não se identifica com a outra, beleza olá pessoas binárias! Enquanto uns misturam, outros ficam bem com o que tem ou com o que escolhem de uma "fonte só". Tá, sem problemas aqui.
O que define um gênero, afinal? Bem, isso muda dependendo da cultura, nada é universal. São características variáveis e a ideia geral, o conjunto não torna ninguém mais ou menos opressor. Na verdade o que oprime, a meu ver, são seres humanos com problemas de personalidade. Independentemente de gênero ou genitália, são pessoas que buscam se sobrepor aos demais e usam do que estiver a mão para fazê-lo. Seja por atributos físicos, gênero, etnia, classe econômica ou social e por aí vai. Partindo desse princípio não culpabilizo apenas "homens" e sim pessoas que tem essa característica como um todo. Não nego que as "mulheres" tem sim um histórico de opressão, mas até nessa afirmação as coisas se complicam, pois tudo sempre requer um recorte e os grupos não sofrem os mesmos tipos de opressão nem mesmo na mesma época. Então assim, não dá pra generalizar nada nem ninguém. Homem trans é homem e nem por isso ele é imune à opressão sofrida enquanto ele era lido como mulher. É algo extremamente complexo.

Falei falei e parece que não disse nada concreto... Aparentemente isso é bem comum tratando desse assunto pelo que tenho lido por aí hahah.
Bom, acredito que as pessoas não saiam por aí fazendo cirurgias extremamente invasivas e tomando hormônios que as deixam deprimidas e com uma necessidade obrigatória de acompanhamento psicológico por nada, então assim: isso acontece, é legítimo e existe.
Sobre a questão de gênero ser algo ruim ou não: acho que as noções básicas são importantes pra que as pessoas sejam quem são. Uma vez eu discuti com um amigo sobre isso e fiquei pensando "num mundo sem gêneros, a pessoa simplesmente teria as características que quisesse e pronto... E daí, o que isso sigfnificaria pra ela? Nada." Isso me parece meio triste e vazio. Sabe, os símbolos teoricamente masculinos ou femininos podem ser usados por quaiser pessoas, elas se identificando ou não com os gêneros em questão. Homens cis podem usar brincos, saias, maquiagem e o que for que  isso não faz deles menos homens. Acho que a questão é mais pra vontade de alguém ser identificado e se identificar como algo especifico, ou inespecífico. Então é isso, eu acho. Ainda não acredito ter falado muita coisa significante, mas vou tentar me informar e pesquisar mais pra poder ter um discurso melhor formado pra defender minhas verdades daqui pra frente. Porque né, o mundo tá cheio de gente querendo pisar nelas.

10/11/2016

Difícil


Preciso falar sobre as coisas difíceis. São várias.
Eu percebo que tô começando a afundar quando meus hábitos mudam. Começo a tomar café da manhã nas três refeições do dia, durmo mais do que o normal sabendo que tenho obrigações a cumprir e não ligo, pequenas transgressões que depois me magoam porque sei que estou me fazendo mal de propósito.
É uma espécie estranha de auto-flagelo, acho.
Ainda estou passando por uma crise com relação ao desenho. Meu senso crítico ainda me dá umas chicotadas e não consigo superar esse modo de agir. Então eu travo, seja pra fazer desenho livre, seja pra treinar qualquer coisa.
Mas vai passar. Tá passando (segundo minha mãe o ideal é sempre falar no presente, concordo com isso, por mais que eu não sinta exatamente isso).
Tem mudanças no meu comportamento, claro que tem. Agora, toda vez que faço algum desenho com muitas falhas (todas identificadas e catalogadas no hall da desgraça mental) escrevo mensagens positivas pra mim mesmo. Só que isso é meio marido que bate na mulher e depois entrega flores pra ela, sabe?
Não sei se é muito justo eu tentar maquiar todas as críticas com mensagens bonitinhas nas quais nem sei se tenho tanta fé. Ainda assim já é um pouquinho melhor.

Fugir é tão mais fácil. Sei que se eu quiser largar absolutamente tudo, entrar numa faculdade de artes, arranjar um emprego e uma vida tranquila e fácil aqui minha família toda vai aceitar e nunca questionar minhas razões... Sei que se eu quiser me largar e deixar de querer tanto e sofrer tanto por não ter energia pra ser nem o básico eles me dariam o tempo necessário até que eu me restabelecesse. Só que não posso fazer nada disso agora.
Eu só quero fugir um tempo, minha mãe diz que preciso viajar, e acho que ela está certa. Se me deixar de férias por duas semanas em casa pra relaxar, me renovar e voltar a produzir vou afundar de vez. Não posso me dar ao luxo de tirar das costas as minhas obrigações num lugar tão propenso a me fazer desistir. Preciso de novos ares.

Agora vamos pra outra pauta complicada: ser genderqueer é extremamente desgastante agora. Não consigo ser direto com a minha mãe e isso acaba comigo. Eu converso com ela sobre coisas que super tem a ver com isso, mas a abordagem não me serve... É horrível ter que conversar e ficar analisando as respostas dela cuidadosamente e pensando como ela falaria comigo se soubesse, se estivesse inteirada nessa questão.
Já cheguei a falar sobre plástica redutora, vários assuntos sobre transgêneros até coisas mais básicas como comprar o bendito calção de banho. Mas eu mesmo me saboto... ela perguntou "por que você quer comprar um calção?" e de todas as respostas possíveis fui na omissa "não quero ter que me depilar". Se fosse assim tão fácil tava bom, né? Um motivo simples desses...
Além disso vivo me perguntando se ela não acessa o blog nunca. Acho que em algum momento da vida já passei o link pra ela, mas não sei se ela chegou a guardar ou sequer lembra disso. Sei lá, me pergunto se ela já suspeita de alguma coisa, mas espera até o momento em que eu diga claramente.
É engraçado porque até quanto você sabe que vai ter 1000% de aceitação na família falar a verdade continua parecendo um monstro de quarenta cabeças.

Outra coisa que me irrita é não conseguir mudar minha voz. As vezes eu treino em casa, faço variações pra ver qual fica mais natural, mas me desespera tanto ter que falar com alguém na rua que eu acabo falando fininho. Sempre fiz isso, mesmo minha voz sendo até meio grave me sinto desconfortável falando com estranhos e aí sai a versão garotinha.
Toda vez que acontece eu me repreendo por cair na armadilha de novo e de novo.

E sabe, tudo aquilo que eu sempre falei e defendi e debati sobre representatividade literária? Bem, isso é TÃO SUPER NECESSÁRIO. Sério.
Hoje eu peguei pra retomar a leitura de Dois Garotos se Beijando e, nossa, é um dos livros mais importantes da minha vida? Sim, depois de um acumulado de horas chorando por conta de vários trechos grifados dessa obra preciosa, definitivamente é algo que vou mostrar pros meus filhos.

Nele tem o Avery, um menino perfeito, trans e tão real que me dá vontade de chorar só de repassar a personalidade dele na cabeça. Me identifiquei muito, sabe? Só que ainda tinha um espinho nessa identificação: Avery é um garoto. Sou algo entre os dois gêneros.... Pra quem eu vou olhar?
Isso dá um desespero tão grande... Parece exagero, mas é desolador sentir que não pertence a lugar nenhum.
Sabe, eu sei que estou no meio e que ele existe, é concreto. Ok, mas em quem eu me enxergo? Em que livros leio a história da minha vida e consigo respirar aquelas páginas como se fossem os dias pelos quais eu passei?
É muito difícil não ter isso pra si. Neste exato momento estou procurando livros com personagens capazes de me representar nesse quesito.
Claro, existem vários personagens com os quais já me identifico e sabe o que eles todos tem em comum? São todos homens. Dá pra entender como isso é complicado? Eu sou dois, sei disso porque por mais que as vezes cirurgia de redesignação de gênero me pareça algo promissor me preocupa pensar em não poder ser ela nunca mais...
Complicado. Tudo é extremamente complicado.


Eu tenho pressa pra tudo. É irônico porque ao mesmo tempo tenho muito muito medo de ver a vida passar e de envelhecer. Quero que chegue o dia em que vou ter a minha casa e o dia em que me sentirei a vontade com o meu corpo e com o modo como ele é lido pela sociedade, o dia em que vou fazer o que amo e não ter mais críticas a fazer sobre mim mesma... Quero tudo isso agora, não quero nem mais um segundo passando sem ter todas as angústias sanadas, as fases já passadas e as experiências já vividas. Acho que é muito medo de viver. De quebrar a cara quantas vezes for preciso (e olha, devem ser milhares, porque eu só nesse meio tempo já devo ter na conta umas centenas)... Preciso me acalmar e não ver a vida passar achando que é só perda de tempo.

06/11/2016

É um papel de trouxa sem fim

Eu sou tão idiota que até dá pena. Sério.
Bom, vamos lá né, se é pra escancarar vamos lá.
Eu tinha superado e tal, tava mó feliz, me sentindo linda e maravilhosa, dona do meu destino etc. Mas claro que não era inteiramente verdade e claro que minha mãe já sabia.
Bom, eu semi-superei, digamos. Mas a minha idealização crônica não me deixa esquecer as coisas, então fui seguindo a vida com uma esperancinha besta aqui e outra ali, um sonhozinho aqui outro acolá e eis que agora como quem não quer nada fui ver um Twitter (o Twitter só fode a minha vida, tô dizendo) e pronto né, claro que eu achei o que não devia. Puta que pariu né?
É passar muitas vezes na fila do sofrimento pra passar pelo que eu passo, porque olha. Tá difícil.
Bom, vi o que não deveria, fui mais a fundo porque quando a gente fareja merda não para até ter afundado nela, claro. E foi o que eu fiz, o combo da desgraça, Twitter + instagram, fez do meu dia já bosta por uma cólica monstruosa, quatrocentas vezes pior.
Sinceramente olhando pelo lado racional dá até pra se orgulhar de mim e ver evolução porque eu não tô em prantos, nem absurdamente magoada ou algo assim, só tô bravo mesmo. Bravo pra caralho comigo e com toda essa situação armada na minha vida. Não é possível que eu NUNCA vá passar por cima disso. Prefiro nem pensar.

Minhas considerações finais são que 1 ele é um bosta (aparentemente eu tenho um magnetismo pra esse tipo de gente). Mentira, ele nem é, não fez nada de errado. Acho que errado só tô eu mesmo. Que fica achando que o sentimento continua dos dois lados, por mais que tenha diminuído, mudado e esfriado muito, acha que ainda tá lá. Que se eu chegar de surpresa ele larga tudo e vem pra mim. Eu tenho síndrome de princesa da Disney.
Mas o mundo não é assim e pra me conscientizar vêm essas merdas pra mim. Nossa, e sabe eu sou TÃO MELHOR que ela. Tão melhor. Eu sei que é ridículo e malvado pensar nisso, mas depois de chorar por ser tão menos que uma Débora, ruiva, mais velha, culta, olhos claros, magra, jornalista, SABIA ATÉ FRANCÊS. Sabe, depois de uma perfeição dessa, ser substituída por alguém que nem sequer tá acima de mim? Não não sei lidar direito.
Claro, como feminista não desejo nem mando energia ruim alguma pra ela, ela merece tudo de mais lindo. Mas como ser humano eu julgo e comparo, não nego. E bem, isso tudo só faz mal pra mim mesmo então né, okzinho.
Nossa que bela merda.
Eu sou tão melhor que tô aqui choramingando. Não sei se a merda acontece comigo ou se eu só fico nela o tempo inteiro e esqueço momentaneamente. Porque né.

05/11/2016

Um merda


Nossa eu tô bem triste.
Um amigo meu que eu considerava um irmão mais velho é na verdade um bosta que abusa de meninas. Que belo dia pra se viver, não é mesmo?
Se quem me contou não tivesse mostrado o relato das próprias meninas eu não teria acreditado. Teria discutido até o último porque nunca me passaria pela cabeça que ele faria uma coisa dessas MAIS DE UMA VEZ. 
É uma das piores sensações do mundo... Isso porque nem éramos tão próximos, mas eu tinha um carinho tão grande... A gente já conversou tanto e porra pra mim pensar nele era lembrar de uma conversa em que ele disse com a maior doçura do mundo "eu sou sensível". MEU, que merda.
Sinceramente depois disso fica difícil confiar em qualquer pessoa que seja. 
É, eu tô bem triste mesmo.

P.S.: Só pra constar não é o meu amigo anteriormente mencionado, tá? Na verdade foi ele que me avisou desse menino, tínhamos ele como amizade em comum, eu nem ficaria sabendo disso tudo se não fosse ele me dizendo pra ter cuidado.

15/10/2016

Superando


Estou me forçando a ouvir as músicas do David outra vez. Apesar de chorar muito, em algum momento preciso encarar isso e remendar o buraco...

20/09/2016

Tá foda sair de casa


Não, eu não estou tendo uma crise. O problema é externo, quem diria. Não sei até que ponto as notícias tão circulando fora debSP, mas tem umas 5 pessoas furando mulheres com seringas em transportes públicos.
Sabe, já é uma merda você ter que lidar com o medo diário de sofrer abuso, catcall, furtos e violências, agora tem mais essa.
Meu, eu não tinha ideia de como pode ser assustador você entrar num estação do metrô e ter que ficar suspeitando de absolutamente todo mundo. Não poder se sentir segura perto de ninguém, olhar pra tudo e todos, se manter longe de todo mundo..  Tudo isso morrendo de medo, de alguém que você nem sabe como é.
Uma das piores experiências que eu já tive e isso foi 1 dia de curso, sabe-se lá quantos mais até que peguem essas pessoas.
Me apavora o fato de que diariamente mais de 20 mulheres são atacadas. Ninguém sabe se contraíram algo, ninguém sabe nada. Imagina o desespero disso? Você não tem como saber o estado do seu próprio corpo  e tudo que estava fazendo era SE LOCOMOVER pra ir pra casa, pro trabalho, pra faculdade. Só vivendo, porra.

De verdade, isso me assusta demais. Rezo todos os dias, sei que minha família também, mas sabe, tá difícil conviver em sociedade com uma coisa dessas.

Eu até que sou privilegiada porque na maior parte do tempo não pego transporte público em horário de pico, mas e as pessoas que precisam? É absurdo. Fico pensando nas meninas que voltam da escola, crianças de classe social que impede os pais de ter carro ou pagar perua escolar. Isso acaba comigo.

Sei lá, tá difícil.

29/08/2016

Half Wild, contribuindo a cada dia com a minha dor


Ah, a beleza de escrever o post no celular. Aquele tecladinho delícia que te ajuda 20% com o corretor e enche o saco nos outros 80% pela sensibilidade horrorosa do touch. Bem, acontece que eu PRECISO desabafar sobre esse livro. não tá dando, não sei lidar com algo que numa noite quase me faz gritar de alegria  e na outra querer queimar as páginas e fazer macumba pra que certos personagens morram. 

Este não muito belo post provavelmente vai ter alguns spoilers, o que eu acho bem merda, mas é o que temos. Nath, sério eu super te indico a trilogia de Half Bad, então me perdoe por possivelmente estragar algumas partes da história contando e reclamando dessas mesmas partes aqui.

Ok, comecemos por Nathan lil babe. Mentira, não vou começar por ele. Simplesmente porque antes de continuar esse post eu parei pra ler mais um pouquinho e CARALHO EIN,  só tem mais porcaria nessa joça. Não que a Sally escreva mal, ela é maravilhosa. O problema é que ela escreve coisas perfeitas e situações adoráveis para personagens QUE CLARAMENTE NÃO MERECEM. Sim, estou exatamente revoltada por um pairing bosta com o qual não concordo. Pois é.

Pra validar ainda mais meu desgosto é um pairing hétero, em detrimento de um pairig bi/gay. Assim, fica difícil te defender né, Sally? Ó o tamanho da desgraça.
Pra melhorar tudo, umas 20 páginas antes dessa facada no estômago teve a melhor parte desse livro INTEIRO. Em que tenho certeza de que 200% dos leitores ficaram realizados e soltaram o ar finalmente pensando "ah, agora minha vida tem um sentido e a históira vai seguir por um rumo decente e que enche minha existência de esperança e amor". E aí depois cagou tudo. 
Meu, conta quantos palavrões eu já falei aqui. Nunca faço isso. No máximo alguns poucos só pra enfatizar, mas nunca assim. TAMANHO MEU ÓDIO.
Enfim, só acho que a vida deveria me presentear com uma linha de acontecimentos melhor do que a presente, porque se o Nathan continuar com essa palhaçada, eu vou ser obrigada a ler fics pro resto da minha vida tentando minimizar os danos causados ao meu pobre coração lgbtqia. 

Me ouça, Tia Sally. Por mais que você já tenha terminado os livros, quero acreditar que em algum momento a razão tenha feito você voltar atras e deixar as coisas como devem ser. AS COISAS DEVEM SEMPRE SER GAYS.

É isso.

29/07/2016

Not many simple things


v-á-r-i-a-s-c-o-i-s-a-s

Estou estressada ft. pressionada com a história do Canadá. Sabe, a moça fofinha? É então, ela é beeeem firme na hora de pedir as coisas. Eu achei que ia ter pelo menos dois meses pra me preparar psicológica e emocionalmente pra enviar coisas como portfolio etc e veja só, aparentemente ela espera que eu consiga tudo até dia 5 de agosto. ASSIM, AMIGUINHA DIA 5 DE AGOSTO NÃO DÁ TEMPO NEM DEU RESPIRAR E OLHAR PRO LADO PRA VER SE O TREM CANADENSE TÁ VINDO NA MINHA DIREÇÃO. É, não tá fácil pra ninguém.
O pior é que sei que mereço isso. Não como punição ou karma ruim, mas porque tenho muita dificuldade em agir sob pressão e isso me parece mais um teste da vida pra ver se eu boto a cara no sol e dou um jeito de lidar melhor com essas coisas.
Vamos ver né, pelo menos posso dizer que aproveitei minhas férias, agora começa o novo inferno astral da correria sem fim e dos desenhos obrigatórios. Gente, mal consigo desenhar pra Giully que é minha professora mais tranquila da vida, imagina fazer uns troços pra um avaliador? NÃO SEI LIDAR. (ainda)

Além disso descobri que pelos próximos 4 meses mais ou menos é impossível fazer minha ó-tão-sonhada-caneca-de-unicórnio porque massa fimo custa mais que meu rim e né, eu gosto demais dele pra vender e conseguir a bentida. Fiquei super chateada com isso. Nunca tenho iniciativa pra fazer nada que envolva trabalhos manuais com massa e justo quando tomo coragem a vida dá um chute na minha pilha linda de expectativas. AFF. Tô tão instável que nesse post tem até caps pra todo lado, olha isso.
Pelo menos vou fazer os terrários, sim, Camila's gonna deal with earth. And Plants. Grande avanço, senhoras e senhores, já que sempre tive frescurinha pra tocar em terra e areia.
De uns tempos pra cá tenho ficado meio obcecada por cactus e suculentas, não sei bem porque. E aí começou com essa moda de terrários e bem, eu não tava nem aí na verdade até que vi uma loja de terrários. Aí tudo mudou, fiquei apaixonada e quase sem fôlego de tão lindos que eram. 
Sei lá, sempre gostei de plantas, mas nunca tive o amor que minha avó tem que vai até querer conversar com as plantinhas, saber de cada brotinho novo etc etc. Do nada isso começou a mudar, eu me perdia olhando pros tons das folhas das árvores das avenidas, reparando no modo como a copa e os galhos se erguiam até o céu, enfim coisas muito hippies e agora acho que sou a próxima louca das plantas da família hahah. 
Sem brincadeira, até fiquei pensando se seria possível levar meu terrário (ainda por fazer) pro Canadá junto comigo. Sabe quando esse tipo de coisa me deixaria sem dormir de noite? Nuncaaaa, pois é várias surpresas em tão pouco tempo.


O fofo é que quando eu comentei com a minha mãe que queria fazer terrários ela adorou a ideia e até disse que seria minha marca na casa enquanto eu estava longe e fiquei toda aaaaawn <3. Não sei... nesse final de mês tá todo mundo sentindo minha falta antecipada, o tomate, minha mãe, a migo (eu e uma amiga somos "Tigo e Migo"), a Pa, meus avós, enfim muita gente me tratando e falando como se eu viajasse na próxima terça-feira. 
Sei lá, pra mim ainda parece tãaaaaao distante. Cara, é no final de agosto de 2017, gente tem um dígito diferente ainda tá lonjão!!! Me aperta o coração quando falam de quando eu estiver lá e fico nesse misto de emoções.
Não sei como responder a "você vai ficar longe" ou "quando eu não tiver você aqui comigo" aaaaah. Sei lá, pra mim a viagem parece como uma libertação, uma chance de evoluir e passar de fase na vida, então tudo que tenho é ansiedade, mas esse tipo de coisa me quebra, sabe? É lindo saber que me amam e sentirão minha falta da mesma forma que é dilacerante e me deixa com vontade de chorar e largar tudo. Claro que não tem nem 0,001% de chance disso acontecer, mas ainda assim dói bastante.

Ok, próximo tópico. Um pouquinho de surto sempre faz desse blog mais meu. 
Crises de ansiedade são um saco, todo mundo sabe. Normalmente as minhas tem a ver com morrer. Pois é, coisa fácil de lidar, né não? Bom, é uma merda. Só sinto que minha vida tá passando rápido e não tô fazendo nada. Mais do que isso, nem quero que ela passe, eu fazendo coisas ou não! Morrer pra mim é muito provavelmente a pior coisa em que se pode pensar. 
Não sei porque, minha mãe diz que é uma fase e que vai passar, mas me dá um desespero tão grande e ai, cara não quero pra mim. Acho que ninguém quer, mas poxa, tem gente que lida com isso tão bem, não sei como. Gente que tá ok em dizer "minha estada aqui é temporária" ou "até lá não estarei mais aqui, ainda bem" AINDA BEM. Meu Deus, cara, como assim ainda bem que você já vai ter morrido? Se eu tivesse a chance de sobreviver mesmo tendo que conviver com zumbis malignos eu escolheria viver. Não sei lidar. Me desespera. 
Enfim, outra coisa que também tá nesse saquinho de angústia é a morte da família. Como eu acredito em Deus (e só na base das nossas conversas é que minhas crises param) também me assombra o fantasma da perda. Desde pequena minha psicóloga comentava da minha "dificuldade em lidar com a perda" tanto que até incentivava que eu tivesse animais de estimação pra conseguir me fortalecer com relação a isso, mas sabe, não acho que vá rolar um dia em que a finitude me pareça algo razoável.
É horrível, todo esse papo sem fim e que nem muda nada. Sei lá, é difícil. Não consigo nem escrever que vai acontecer comigo. Mal dá pra pensar, ai Deus. 
Me dá medo até de envelhecer. De pensar "ah, quando eu tiver 30 anos", cara isso me assustaaaaa. Quando eu tiver 30 anos, PORRA VOU TER TRINTA ANOS OU SEJA PROVAVELMENTE MAIS UNS 60 PELA FRENTE SÓ. Caos. Simplesmente um caos.

18/06/2016

AFF, ser profissional dá muito trabalho

Quero muito saber o nome desse filme, achei fofo. Deve ser super teen drama movie, mas não tô nem aí u_u.

Então, uma amiga minha me chamou pra pedir emprego na agencia que ela trabalha.
A vaga de designer estagiário me pareceu okzinha, sabe? Mas pra concorrer tem que fazer.... É, isso mesmo, um portfolio decente e isso É UM SACO.
Depois de passar umas 20h fazendo esse bendito troço, ainda faltam mais alguns mini ajustes pra terminar e enviar um email pra moça da agência avaliar e dizer, enfim, se eu entro lá ou não.
Na real, tô até com medo de mandar e receber um "já preenchemos nossa vaga, obg" de tanto que tá demorado o processo aqui, mãaas, seja o que deus quiser, né não?
Enfim, é isso. Cansadíssima.

Que fique público aqui: mililion.tk

15/06/2016

Fluffy Bubbles


Meu deus do céu, cadê os empreendedores importando essa maravilha? Peço logo um lote inteiro, porque olha, tô precisando de umas bolhas fofinhas e reconfortantes. AFF.
Já tá super tarde (ou cedo, como preferir) então tenho que escrever rapidinho. Resumão (do desespero) da semana ~


    1. Desenhando corpitchos mais uma vez, só que tô com um bloqueio então preciso me forçar a desenhar mais porque né, o avanço tem que continuar e sem vontade NÃO ROLA
    2. Descobri que minha tão sonhada faculdade canadense custa, na verdade, o triplo do valor que imaginava e obviamente é algo impagável e tive que mudar todos os meus planos.
    3. Estou feito uma barata tonta reajustando minhas contas e tentando fazer caber os gastos agora totalmente novos e desconhecidos (Viver em Vancouver é ridiculamente mais caro que em Ontario, nossa senhora)
    4. Tá suuuper frio, grazadeos que continue assim até o fim do ano. <3
    5. Daqui duas semanas acabam meus cursos de Pintura e Fundamentos do Desenho, quero ver se retomo o de pintura ou não, ainda tô indecisa...
    6. FINALMENTE agendei meu teste de inglês, tava a uma vida enrolando, mas agora é pra valer, 23 de Setembro tô eu lá fazendo o TOEFL. Lá se vão 800 reais numa porcaria dum certificado que só dura dois anos. Uma bela bosta, mas enfim.
    7. Sábado vai ser um dos dias mais corridos da minha v-i-d-a. Tenho dois aniversários pra ir sendo que o mais legal é o "mais cedo" então vou ter que sair na metade pra ir prum lugar cheio de gentinha que eu não gosto. O que fazemos pelas amizades de maternidade, não é mesmo? 
    8. Terminei o primeiro livro das Formigas e estou inteiramente convencida de que todas as escolas da Terra deveriam adotar os livros de Bernard Werber como leitura obrigatória, porque, gente, ELE É UM GÊNIO! Ler aquele livro foi um sumário de biologia, sociologia, filosofia e literatura (ou produção de textos? Não sei).
    9. Meu amigo do curso de Fundamentos tá afinzinho de mim e eu tô: "migo, não", tá difícil conviver. Odeio isso. Ele é tão legal, não merece ser rejeitado, porém... É.
    10. O clone do Ulrik namora. É pois é... Quando finalmente consegui conversar com ele e ficar "amiga" e descobrir que ele lembrava do meu nome ~momento, este que me deixou bem feliz~ escutei ele comentando com o professor da namorada. A vida dá dessas. Sempre.
    11. Quero férias. Avidamente.
    12. Comecei a jogar Starry Sky ~in summer~ e é super fofo *0*. Tá meio chatinho porque peguei uma tradução mega estranha em espanhol, em que os caracteres com acento não aparecem e fica tudo bagunçado no texto das falas, MAS ainda é maravilhoso ver aqueles caras fofões e ouvir seus respectivos seyuus então, né não vou reclamar de algo de graça. Estou na rota do Senpai porque, dãaaa, obviamente ele é o mais fofinho/meiguinho/docinho/cinnamon roll da vida, o  Homare Kanakubo. Sem falar naquele cabelo azul nuvem. Não tem quem resista, ele é lindemais <3.
Pra finalizar vou até deixar imagenzinha dele aqui.


AH, sem falar que ele também é de touro do dia 14 de maio, esse coisinho. A GENTE FOI FEITO PRA FICAR JUNTO, É ISSO MESMO.